Praticar a preguiça no Monte do Giestal

Praticar a preguiça no Monte do Giestal

Praticar a preguiça no Monte do Giestal

Artigo de Marta Amorim

Localizada no Litoral Alentejano, perto da aldeia de Abela, no concelho de Santiago do Cacém, o Monte do Giestal – Casas de Campo e Spa oferece mais de 71 hectares de montado alentejano carregado de sobreiros (um deles com cerca de 200 anos). Este local perfeito para pôr em prática o verbo preguiçar dispõe de 10 casas totalmente equipadas que lhe permitem uma estadia independente longe do stress e da confusão.

As casas de traça alentejana são de duas tipologias, T1 e T2, e uma delas está preparada para receber pessoas com mobilidade reduzida. Cada casa é subordinada a um tema, sempre relacionado com espécies locais. Ficámos alojados na Casa da Lande e os restantes alojamentos dão pelos nomes de Sobreiro, Azinheira, Medronheiro, Bolota…

Há lareiras para aproveitar em conforto os dias mais frios (mas também há ar condicionado), fogão, frigorífico, máquina de lavar louça, de café e tudo o que necessita para cozinhar.

Mas se para si férias são também férias dos tachos, pode pedir que as refeições lhe sejam entregues em casa. Chegam num cestinho e confeção de pratos como a famosa sopa de cação, massa de peixe, porco preto com migas ou frango com pimentos está a cargo da D. Fernanda, proprietária do restaurante Cantinho do Petisco.

Uma refeição para duas pessoas dificilmente ultrapassa os 20 euros, afirma-nos Guida Silva.

Tudo ali é digno de fotos incríveis para o Instagram. Mas se pensa que este é um espaço para atualizar redes sociais, pôr e-mails em dia ou fazer longas chamadas telefónicas, tire o cavalinho da chuva. Ali até a pouca rede telefónica pede para continuar a conjugar o verbo preguiçar.

E por falar em tirar o cavalinho da chuva, é impossível acordar e não dar os bons dias ao simpático cavalo Jotinha. Das três grandes atrações do espaço, apenas uma delas não é animal. Vale a pena ver as mulas que, apesar de terem abrigo, preferem dormir debaixo das árvores e o cavalo Jotinha, mas também o sobreiro, que é mais velho do que alguém consegue dizer. Dali nunca se retirou cortiça e reza a lenda que quando o tentaram fazer caiu um raio e nunca mais ninguém tentou.

Guida afirma que terá cerca de 220 anos. O pai desta aponta para uns 500. Pelo menos.

O espaço abriu em outubro de 2011 e para a nossa anfitriã, Guida, foi uma forma de valorizar o que já era da família. Para além de azeite, produzem também cortiça, principal matéria retirada dos 71 hectares que pertenciam aos avós de Guida. Para onde quer que olhe, vai encontrar decoração com este elemento natural. A proprietária está sempre a inventar formas de a introduzir nos recantos do monte ou em coisas tão básicas como as massagens que pode fazer no spa. A massagem relaxante é feita com rolos de cortiça com método de exfoliação com mel e alecrim. Também nos sabonetes – igualmente exfoliantes – pode encontrar cortiça.

No spa, por muito que se esforce, vai continuar a sentir-se no campo. Os produtos endógenos estão bastante presentes e até o jacuzzi, uma banheira Ofurö, é uma pipa gigante. Com janelas envidraçadas, quem relaxar no spa do monte vai poder ver os campos alentejanos lá ao fundo. Para além das massagens (entre 40 a 70 euros), em breve haverá também tratamentos de beleza.

Pode ainda desfrutar de banho turco, ginásio, sauna, piscina interior climatizada com vários jogos de massagens e sala de relaxamento. Lá fora, à espera de dias mais quentes, está a piscina exterior.

Todos os alojamentos estão aptos para receber pessoas com mobilidade reduzida e o seu animal de estimação também é bem-vindo. Há um canil, mas pode ter o animal consigo, nas casas de campo. O Monte do Giestal está a cerca de 1h15 de Lisboa, 1h30 do Algarve e os preços de estadia variam entre os 100 e os 160 euros por noite.

Ali, com os sobreiros no horizonte, pode caminhar, passear de bicicleta, fazer um piquenique no campo… Mas fora da quinta está o mar e muitas outras atividades e degustações.

O Museu do Trabalho Rural, na Abela, permite a crianças e graúdos perceberem o ciclo dos cereais. José Matias é quem nos guia pelo museu que em maio celebra 10 anos. Continuando pela rota dos cereais, há também o Museu da Farinha, onde pode visitar um dos primeiros moinhos com motor a gasóleo e o Henrique Mateus Vilhena, quem recebe os visitantes, tem muitas histórias para contar.

Seja inverno ou verão, a Lagoa de St. André é sempre bonita. Mas se o tempo não ajudar, refugie-se no restaurante Chez Daniel, logo ali ao lado. O preço médio por refeição é 20 euros e, para além do peixe fresco, há a típica enguia. Frita, em caldeirada ou em ensopado. É à escolha do freguês.

Se o que lhe interesse é história, as Ruínas Romanas de Miróbriga e Santiago do Cacém são a visita perfeita. Podem ser visitadas desde 2001 e o bilhete custa 3 euros.

Comida no Alentejo nunca é demais. No restaurante Mercado à Mesa pode provar a famosa empada de perdiz e o Bolo Santiago, típico da zona.

Não abandone Santiago do Cacém sem visitar o Centro Ciência Viva do Lousal. A antiga mina de pirite encerrou em 1988 e é agora um museu. Há placards interativos para as crianças, exposições e muita coisa para ver, mas é lá fora, a caminho da mina, que a natureza surpreende. Há várias lagoas coloridas, avermelhadas. A explicação é as águas ácidas, com PH bastante elevado e metais. Continuando pelo passadiço, chegamos à mina. É hora de colocar os capacetes e ir ver morcegos. Os preços vão desde os 3 aos 17,50 euros.

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