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Ilha do Sal :. Na terra da morabeza

Terra de gente simpática, alegre, descontraída e bonita, a Ilha do Sal tem uma beleza singular, onde o mar azul-turquesa e as areias douradas se sobrepõem à natureza árida e estéril. O seu nome deve-se precisamente à quantidade de sal aí produzido, sendo ainda hoje possível observar as estruturas utilizadas para a exploração deste produto.

Nos último anos, Cabo Verde tem vindo a afirmar-se como um destino de férias privilegiado, cobiçado por cidadãos de Portugal, Espanha, Itália, França, Reino Unido, Países Baixos, Alemanha, Dinamarca, Finlândia, entre outros. A apenas 4-5 horas de voo da Europa e com uma pequena diferença no fuso horário, este arquipélago composto por dez ilhas (nove habitadas) torna-se particularmente elegível para quem procura descanso, momentos relaxantes em família ou gozar tranquilamente a sua reforma.

O clima ameno o ano todo, as praias paradisíacas, a observação da Natureza, aves e animais marinhos, a cultura deveras fascinante, uma gastronomia rica, aliadas à morabeza e simpatia das suas gentes, faz de Cabo Verde um destino turístico único.

A Ilha do Sal surge timidamente do Atlântico e é a ilha mais árida de todo o arquipélago cabo-verdiano. As suas paisagens, desprovidas de vegetação, lembram-nos que estamos na mesma latitude do deserto do Sara. A austeridade das suas terras não sugere, em nenhum momento, que essa ilha um dia, como as outras do arquipélago de Cabo Verde, foi coberta por um espesso manto verde. A paisagem incita a olhar para o mar: as paradisíacas praias que rodeiam a ilha, os inúmeros desportos aquáticos que disponibiliza e o excelente peixe que os pescadores locais capturam diariamente manifestam a íntima relação que a ilha mantém com o oceano. Não existem grandes aglomerações de gente, apenas povoados tranquilos e poucos hotéis, que fazem da Ilha do Sal o lugar ideal para quem busca paz e tranquilidade.

Com belas praias de areia branca, a Ilha do Sal oferece condições ímpares para a prática de actividades relacionadas com o mar, praia, natação, surf, windsurf, mergulho, pesca e passeios de barco.

 

Para os fãs de mergulho

Se é fã do mergulho, saiba que na fauna subaquática de Cabo Verde predominam os tunídeos, os espadartes e os serranídeos. Também é possível encontrar lagostas, várias espécies de moreias e congros, tartarugas e até tubarões. Há ainda destroços de navios afundados, como o Santo Antão, que se encontra a 6-10 metros de profundidade e a apenas cinco minutos de barco do centro de mergulho.

Várias fotografias da Ilha do Sal

Morabeza: O que é?

A morabeza é tida pelos cabo-verdianos como algo difícil de traduzir (como a palavra saudade em português) e exprime um sentimento tipicamente cabo-verdiano. Talvez seja esta a palavra crioula que mais se identifica com o espírito cabo-verdiano, uma filosofia muito própria de um povo afável que tem na forma de receber a sua principal característica e que encontra nas Ilhas do Sal e de S. Vicente o seu mais sentido significado.

Zona importante de exploração de sal

A Ilha do Sal foi descoberta em 1460 pelo português Diogo Afonso e pelo genovês Antonio di Noli. Inicialmente, foi chamada de Llana, mas por causa da exploração do sal na ilha, ficou conhecida por Sal. A primeira zona a ser explorada foi Pedra Lume, em 1804, por Manuel António Martins, devido às salinas ali encontradas, iniciando assim o povoamento da ilha.

Manuel António Martins fundou a povoação de Santa Maria em 1835. Inicialmente, este deu o nome à povoação de Porto Martins, mas a vila perpetuou-se no tempo como vila de Santa Maria. Alguns anos depois, Manuel António Martins viria a falecer e os seus restos mortais encontram-se no mausoléu do cemitério da vila de Santa Maria.

Em 1919, a sociedade Salins du Cap Vert adquiriu as salinas da ilha do Sal, iniciando uma intensiva exploração das mesmas, reactivando o comércio do sal. Chegaram pessoas das ilhas de São Nicolau, Boavista e Santo Antão para trabalhar nas salinas. Ali foram instalados uma maquinaria, para peneirar e pulverizar o sal, e um teleférico de 1100 metros de comprimento que transportavam cerca de 25 toneladas de sal por hora desde as salinas de Pedra de Lume ao cais de embarque. Ainda hoje os teleféricos e os equipamentos utilizados para a produção do sal permanecem em Pedra de Lume como prova viva dessa época, mostrando um cenário inigualável.

A condição plana da ilha favoreceu a criação do primeiro aeroporto do arquipélago, cuja construção se iniciou em 1939. Mais tarde, o governo colonial português adquiriu o aeroporto à companhia italiana, tendo finalizado as obras em 1949. Graças à construção das pistas de aviação pela companhia italiana, nasceu a vila de Espargos e após a independência de Cabo Verde, ficou conhecido por Aeroporto Internacional Amílcar Cabral.

Em 1935, a povoação de Santa Maria ascendeu a vila e tornou-se na sede administrativa da Ilha do Sal. Só em 1963 é que passou a ter uma Câmara Municipal. Actualmente, a actividade turística e aeroportuária são os principais pilares de desenvolvimento socio-económico da Ilha do Sal.

A história do turismo na ilha deveu-se à chegada do casal belga Gaspard Vynckier e Marguerite Massart, em 1963. Atraídos pelo clima e por razões de saúde, decidiram construir uma casa de férias na vila de Santa Maria. Mais tarde, a casa do casal belga passou a acolher as tripulações de várias companhias aéreas que faziam escala no Sal. A casa viria a ser, alguns anos mais tarde, a primeira unidade hoteleira da Santa Maria e baptizada, posteriormente, com o nome de Hotel Morabeza, considerado por muitos o berço do turismo em Cabo Verde.

Deste modo, Sal é conhecida por ser a capital do turismo cabo-verdiano, sendo vista como a ilha das oportunidades e um modelo de desenvolvimento para as outras ilhas.

 

Guia do Viajante

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onde ficar

Hotel Pontão

Hotel Djadsal Holiday Club

ClubHotel Riu Funana

ClubHotel Riu Garopa

Compras

Artesanato nativo, talhas de madeira, pinturas, música e olaria.

Vestuário

Use roupa leve e de tecidos naturais. A maioria dos hotéis exige vestido de cocktail para ocasiões especiais e calças à hora do jantar.

Gastronomia

A lagosta na brasa, a cachupa (feijão, carne de porco, milho e legumes), a cachupinha, o pastel com diabo (uma mistura de atum fresco, cebola, tomate enrolados numa massa feita à base de batatas cozidas e farinha de milho), o caldo de peixe, as bananas enroladas, etc., e também as deliciosas caipirinhas. Deve experimentar também a bebida típica deste país, o grogue, uma aguardente de cana.

onde comer

Os restaurantes e bares concentram-se em Santa Maria e em Espargos, mas a maioria dos visitantes frequenta os restaurantes situados na pracinha de Santa Maria. Aventure-se pelas ruas traseiras, ou nos espaços situados à beira-mar, onde se cozinha bom peixe grelhado. Os hotéis dispõem também de bons restaurantes com música ao vivo.

Club 1, Vila Santa Maria

Funaná di Vila, Vila Santa Maria

O Rei dos Mariscos, Murdeira-Espargos

Restaurante Américo's, Santa Maria

Restaurante Salinas, Preguiça-Espargos

Ristorante Italiano Mediterrâneo, Santa Maria

Bar Restaurante Sivy, Espargos

Bom Gosto, Lda, Lomba Branca

onde ir

Salinas de Pedra Lume: Situadas na cratera de um antigo vulcão, onde é possível tomar um banho relaxante (e considerado rejuvenescedor pelos nativos) e flutuar numa água 26 vezes mais salgada que a do mar. Deste local, pode ir fazer uma visita a Espargos, localidade principal do Sal, terminando em Terra Boa, onde se vislumbram as famosas miragens.

"Olho Azul": É a zona das piscinas naturais de águas transparentes. Quando a luz do sol reflecte na água, o azul é de uma beleza extrema, daí o seu nome.

Vila de Santa Maria: Na vila destacam-se o centro cultural e o mercado municipal. No entanto, a sua praia é a mais conhecida de todo o arquipélago e tem excelentes condições para a prática de windsurf, kitesurf, mergulho e pesca desportiva.

Buracona: É uma fantástica piscina natural encrostada na lava negra das rochas sobranceiras ao mar. Bem perto, situa-se outra piscina, mas subterrânea, que se alcança mergulhando através de um buraco no chão.

Informações

Diferença horária: - 1 hora no Outono/Inverno e - 2 horas na Primavera/Verão.

Documentação: Passaporte em vigor. Preenche-se o "cartão de embarque internacional" tanto na entrada do país, como na saída. O visto é imprescindível. Para tratar do mesmo, deve enviar para a sua agência de viagens, dez dias antes da partida, fotocópia da página do passaporte onde aparecem os seus dados pessoais.
Visto obrigatório: 25 Euros.

Electricidade: 220 volts.

Moeda: Escudo cabo-verdiano. 1 Euro = 110 escudos, o câmbio aplicado geralmente é de 1 euro = 100 escudos, já que o uso de euros é aceite de forma habitual.

Idioma: Para além do português, língua oficial, o crioulo cabo-verdiano é usado no dia-a-dia pela maioria da população do Sal, pois existe uma variante local do crioulo cabo-verdiano.

Clima: Ameno

Vacinas: Não precisa, mas convém ter atenção à água que consome e aos alimentos crus. Recomenda-se ainda que leve repelentes de insectos e protector solar.

Texto: Virgínia Esteves (virginia.esteves@impala.pt) | Fotos: Arquivo Impala, Flickr e Sol Meliá
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