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Roma - Uma vida não chega para a conhecer
estátua de Augusto e busto de Nero

Roma é anterior à primeira civilização etrusca no Norte do Lacio e tornou-se o centro do mundo cristão. Durante a Renascença e o Barroco foram construídos alguns monumentos arquiteturais de nomeada que perduraram para o futuro.

Desde a sua fundação, em 753 a. C., que a História da Civilização Moderna tem passado pela capital italiana, deixando provas de todas as eras, descobertas sucessivamente em novas escavações. Desde a época das Guerras Púnicas, que deram a Roma a supremacia na área do Mediterrâneo, ao tempo do Império Romano, que, com a paz implementada pelo imperador Augusto, permitiu o planeamento urbano e o bem-estar social, a cidade criou os seus recursos para conquistar o mundo, pelo menos o que se conhecia na altura.

Coliseu de Roma

Mais recentemente, após a desagregação do Império Romano, a cidade tornou-se o centro do Cristianismo e, depois de várias inflexões, acabou por se tornar a capital do reino de Itália, em 1870. A História do século XX assistiu à desagregação da cidade e à sua reconstrução, destruída por sucessivos bombardeamentos e sempre pronta a restaurar os seus tesouros artísticos
e arquitetónicos.

Hoje, Roma cresceu à volta de um núcleo antigo, cheio de locais pitorescos e rodeado pelas antigas muralhas defensivas. Para os indefetíveis desta metrópole, uma vida não é suficiente
para a conhecer...

O que visitar

A Piazza Venezia pode ser considerada o núcleo central da cidade, com o seu característico monumento de homenagem a Vittorio Emanuele II (também conhecido entre os locais por “Vittoriano”), o primeiro monarca da Itália unificada (1820-1878), encimado pelo Altare della Patria, em memória dos muitos cidadãos italianos caídos no campo de batalha ao longo dos séculos.

Atrás desta estrutura impressionante fica a Piazza del Campidoglio, projetada em 1536 por Michelangelo Buonarroti (1475-1564) e reconstruída ao longo de 400 anos. É delimitada por três edifícios, enquanto no centro está colocada uma imponente estátua de Marco Aurélio. Dois destes edifícios incluem o Palazzo dei Conservatori e o Palazzo Nuovo, que alberga os Museus Capitolinos, uma vasta e importantíssima coleção de obras de arte. A Cordonata, uma larga via construída em paralelepípedos, liga a Piazza del Campidoglio à Piazza dell’Aracoeli, de onde parte uma outra escadaria em direção à Igreja de Santa Maria, que alberga obras de grandes nomes da arte italiana, como Pinturicchio ou Donatello.

Piazza del Campidoglio

A partir da Piazza Venezia, ruas importantes, com nomes ligados à própria História de Roma, saem em todas as direções. Uma destas ruas é a Via dei Fori Imperiali. Esta é a antiga “Estrada do Imperador”, que passa pelo Fórum Romano, o berço de toda a atividade cívica e económica da cidade (com o Mercado Trajano do outro lado da via), e, mais abaixo, desemboca num dos monumentos favoritos de todos os turistas, o verdadeiro símbolo de Roma: o Coliseu. Entretanto, pode observar o Arco de Constantino, erigido para comemorar a vitória deste imperador na Batalha da Ponte Mílvio, em 312, e considerado o maior e mais bem preservado da capital italiana. Observe-o de perto e perceberá por que alguns se lhe referem como um museu em si mesmo.

Piazza Venezia Arco de Tito Boca da Verdade

A partir daqui, poderá dirigir-se ao Monte Palatino, uma das sete colinas de Roma, com 70 metros de altura. Nas suas encostas foram construídos, de um lado, o Fórum Romano e do outro o Circo Máximo. O local é, hoje, um grande museu ao ar livre, visitado durante o dia. A saída localiza-se próximo do Arco de Tito ou junto à Prisão Mamertina, próximo do Capitólio.

O Palatino oferece uma vista privilegiada do Fórum num lado e, no outro, o Circo Máximo. Em frente deste antigo circuito de corridas de carruagens (bigas ou quadrigas) podemos encontrar alguns templos pagãos e, à direita, junto ao rio Tibre, igrejas. Aqui se incluem o Fórum Boarium, onde se marcava gado, o Templo de Portunus e o de Hercules Victor, dois dos mais bem preservados da atual Roma.

Na Piazza Bocca della Verità, onde se encontra a “Boca da Verdade”, pode-se ver um disco enorme em forma de máscara, que se abre numa das paredes da igreja de Santa Maria de Cosmedin, e cuja lenda conta que, se alguém colocar a mão direita dentro da sua abertura enquanto diz uma mentira, a boca fecha-se. Reza a lenda que alguns sacerdotes costumavam colocar escorpiões no seu interior para perpetuar o mito.

Continuando pela Viale Aventino, pode-se admirar a Pirâmide de Caius Cestius, um monumento funerário de inspiração egípcia.

Começamos o nosso passeio pela Piazza Venezia, local central de onde partem diversas artérias importantes da cidade, entre elas, a Via del Corso, onde se situa o Palazzo Doria Pamphilj, com vista privilegiada para a colina do Quirinale, onde se situa o Palazzo, com o mesmo nome, residência do Presidente da República.

Reza a lenda que alguns sacerdotes costumavam colocar escorpiões no seu interior para
perpetuar o mito

A Via del Corso constitui uma excelente rota para partir à descoberta de alguns pontos importantes do centro histórico, como, por exemplo, a Fontana di Trevi. Esta é a maior e mais famosa fonte de Roma e um dos símbolos da Cidade Eterna. Foi completada por Nicolò Salvi, em 1735, durante o papado de Clemente XII, e imortalizada no filme de Federico Fellini, “La Dolce Vita”, realizado em 1959, com Anita Ekberg e Marcello Mastroiani. O monumento combina elementos barrocos e clássicos e foi decorado por vários artistas da escola de Bernini. Representa o carro de Neptuno puxado por dois tritões que lutam com dois cavalos-marinhos (um selvagem e outro dócil), que encarnam os estados do mar. Segundo a tradição, tem de atirar uma moeda para a fonte sobre o ombro, para garantir o seu regresso a Roma (repita com uma segunda moeda para encontrar o amor em Itália). O dinheiro obtido na Fontana di Trevi é doado pelo município romano à Cáritas.

Fontana di Trevi Scalinata della Trinita dei Monti Villa Medici
Villa Borghese

Mais à frente, poderá apreciar a imponência da Scalinata della Trinitá dei Monti, construída entre 1723 e 1726 com fundos franceses, mas desenhada por um espanhol e erigida para unir a praça às moradias das personalidades ilustres que residiam mais acima. Se subir os 135 degraus, é recompensado com uma vista de tirar a respiração e desemboca na esplanada da colina de Pinciano, onde se situa a Villa Medici (atualmente, sede da Academia Francesa de Roma) e a Villa Borghese, o terceiro maior jardim da cidade. Um passeio por essa mancha verde revela um lago decorado com um jardim e um templo dedicado a Esculápio, deus da Saúde e da Medicina.

Continuando, chegará à Piazza di Siena, com o Museu Borghese. Do largo de Pinciano poderá admirar igualmente a Piazza del Popolo e a Basílica de Santa Maria del Popolo, onde está sediada uma boa coleção de tesouros arquitetónicos de Caravaggio, Pinturicchio, Andrea Sansovino, Bramante, Rafael e Gian Lorenzo Bernini.

Continuando a partir da Piazza del Popolo e mergulhando numa das ruas adjacentes que serpenteiam junto ao Tibre, podemos começar a descobrir a zona de Ara Pacis, um dos mais significantes monumentos da era Augusta, que pretendia simbolizar a paz e a prosperidade da Pax Romana.

Voltando à Via del Corso, passamos pela Piazza Montecitorio, onde no palácio homónimo funciona a Câmara dos Deputados da República Italiana. No exterior fica a Coluna de Marco Aurélio, na muito apropriada Piazza Colonna. A seguir temos o Panteão, um antigo templo dedicado a todas as divindades e onde se localiza igualmente a tumba de Rafael. Não muito longe fica a Piazza Navona, com a famosa Fontana dei Quattro Fiumi, de Bernini, no centro. Esta possui estátuas dominadas por um obelisco que representam os quatro maiores rios do Mundo: Nilo, rio da Prata, Ganges e Danúbio.
O Mouro da Fontana del Moro,
atualmente substituído por uma cópia, é igualmente de Bernini.

Piazza Navona
Piazza Navona
Fontana del Moro
Fontana del Moro
igreja Sant'Agnese
Igreja Sant'Agnese
Coluna Marco Aurélio
Coluna Marco Aurélio
Piazza Colonna
Piazza Colonna
Piazza del Popolo
Piazza del Popolo
Panteão de Roma
Panteão de Roma
Igreja Sant'Ivo alla Sapienza Basílica de São Pedro

Diversos monumentos e igrejas estão situados nesta área de Roma, como a Igreja de Sant’Ivo alla Sapienza, a obra-prima de Francesco Borromini; San Luigi dei Francesi, com obras de Caravaggio; o Palazzo Altemps, delegação do Museo Nazionale Romano; a Igreja de Santa Maria della Pace, com frescos de Rafael; e o bonito Claustro de Bramante, a primeira obra deste arquiteto em Roma, acrescentado em 1504.

Perto do Corso Vittorio Emanuele II ficam o Palazzo della Cancelleria e a Chiesa Nuova. O primeiro é considerado um exemplo da arquitetura renascentista – iniciado em 1485, foi, mais tarde, a partir de 1513, chancelaria papal –, a segunda começou a ser construída em 1575, sob o patrocínio de San Filippo Neri, para substituir a delapidada igreja medieval que fora atribuída à sua Ordem pelo Papa Gregório XIII. Contém três pinturas de Rubens em volta do altar. As primeiras versões destas pinturas foram rejeitadas e,
por isso, Rubens repintou-as em ardósia e colocou as originais no
túmulo da mãe.

Na Via Giulia, passando pela Ponte Sisto acabaremos por desembocar na Via della Lungara e deparar com a Basilica di Santa Maria, no Trastevere, com uma fachada característica de mosaicos e uma torre sineira romanesca, com a Madonna e o Menino. Continuando pela colina conhecida como Janiculum, podemos apreciar a Igreja de San Pietro, em Montorio, com uma excelente vista panorâmica sobre Roma.

A Cidade do Vaticano, capital mundial do catolicismo, é o mais pequeno estado do Mundo, com a maior igreja cristã, a Basílica de S. Pedro. É constituída por 43 hectares muralhados e fortemente vigiados. Qualquer visita deverá começar, obrigatoriamente, pela Praça de S. Pedro e respetiva basílica, depois, não se esqueça de visitar também os Museus do Vaticano e, claro, a Capela Sistina.

A Basílica de S. Pedro atrai peregrinos e turistas de todo o mundo. Abriga centenas de obras de arte, algumas delas recuperadas da basílica do século IV construída por Constantino e outras de artistas renascentistas e barrocos. Dominam as obras de Bernini, que criou o baldaquino que cobre o túmulo de S. Pedro, sob a cúpula de Miguel Ângelo. Os Museus do Vaticano abrigam a Capela Sistina, as Salas de Rafael e uma das mais impressionantes coleções de arte do Mundo, ocupando os palácios originalmente construídos para os Papas do Renascimento (Júlio II, Inocêncio VIII e Sisto IV).

Continuando pela Via della Conciliazione, começamos a ver o Castelo de Sant’Angelo, que deve o seu nome à aparição do arcanjo Miguel ao Papa Gregório o Grande, no século VI, quando conduzia uma procissão sobre a ponte, rezando pelo fim da peste. Esta fortificação abrigou o mausoléu do imperador Adriano e desempenhou várias funções militares, como posto avançado na muralha do imperador Aurélio, cidadela medieval, prisão e local seguro para Papas.

No percurso entre o Coliseu e San Giovanni in Laterano, fica a Basílica de San Clemente, onde existe, no seu nível inferior, um templo dedicado ao culto de Mitras, uma religião oriunda da Pérsia que rivalizou em popularidade com o Cristianismo.

Capela Sistina

No exterior das muralhas fica a segunda maior igreja de Roma, a Basílica de S. Paulo. Para a visitar, terá de abandonar o centro histórico e dirigir-se à Via Ostiene. Esta igreja é uma reconstrução fiel da grande basílica do século IV destruída pelo incêndio de 1823. O arco triunfal foi decorado de um dos lados com mosaicos restaurados do século V e, do outro, com mosaicos de Pietro Cavallini, que, originalmente, se encontravam na fachada. Sobressai no seu interior o baldaquino de mármore sobre o altar-mor, da autoria de Arnolfo
di Cambio. Por baixo do altar, encontra-se o local onde terá sido
sepultado S. Paulo.

Praça de São Pedro

Também em itinerário separado, vale a pena visitar as catacumbas, na Via Appia Antica. A Roma Antiga proibia os enterros dentro dos muros da cidade, pelo que os primeiros cristãos escavaram cerca de 300 quilómetros de túneis e túmulos em vários níveis, sob os caminhos que conduziam para fora dela. Mais tarde, estes foram abandonados e esquecidos, até que, no século XVI, um lavrador encontrou este verdadeiro “mundo dos mortos”. Existem três catacumbas importantes que podem ser percorridas em visitas guiadas: San Callisto, S. Sebastião e Santa Domitilla.

Guia do Viajante

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Roma

onde dormir

Deko Rome,
Via Toscana, 1, 00187 Roma

Portrait Roma,
Via Bocca Di Leone 23, 00187 Roma

Albergo del Senato,
Piazza della Rotonda 73, 00186 Roma

Villa Spalletti Trivelli,
Via Piacenza 4, 00184 Roma

Palm Gallery Hotel,
Via delle Alpi 15D, 00198 Roma

Barocco Hotel,
Piazza Barberini 9 (Entrada: Via della Purificazione, 4), 00187 Roma

Appia Antica Resort,
Via Appia Pignatelli 368, 00178 Roma

Artemide Hotel,
Via Nazionale 22, 00184 Roma

Hotel San Anselmo,
Piazza S. Anselmo 2, 00153 Roma

Hotel Campo De’Fiori,
Via del Biscione, 6, 00186 Roma

onde comer

Osteria da Francesco
Via Valsugana, 48/52, 00141 Roma

Pinsere Roma
Via Flavia, 98, 00187 Roma

La Porta Del Principe
Via Portuense, 1585, 00148 Roma

Bar Ambra Jovinelli Bistrò
Guglielmo Pepe 43, 00100 Roma

Antica Stabia Pizzeria
Via Tiburtina, 613, Roma

Gavius
Viale dell Oceano Pacifico, 153, 00144 Roma

Ad Hoc
Via Ripetta 43, 00186 Roma

Tastevere Kmzero
Vicolo de Cinque 30/a, 00153 Roma

La Triade del Gusto
Via Della Penitenza 7, 00165 Roma

Osteria del Cavaliere
Via Alba, 32, 00182 Roma

sabia que

Roma quando começou a dividir-se, a região tornou-se o centro do mundo cristão. Artistas e arquitetos trabalharam para Papas e suas famílias, nomeadamente, durante a Renascença e o Barroco, quando foram construídos alguns monumentos arquiteturais de nomeada que perduraram para o futuro.

informações

Moeda
Euro

Idioma
Italiano, mas é fácil encontrar quem domine o inglês.

Documentos
Os cidadãos da União Europeia não necessitam de visto para estadias inferiores a 90 dias.

Fuso horário
+ 1 hora

clima

A melhor altura para visitar Roma é na época baixa, evitando, assim, a multidão de turistas de julho e agosto, quando faz muito calor. Se não puder fugir a estes meses, prepare-se para se levantar cedo e aproveitar as ruas um pouco mais vazias. Roma é linda de qualquer forma. As temperaturas variam de 2º a 6º no inverno e de 22º a 37º no verão.

Texto: Luís Peniche | Fotos: Arquivo Impala, Wiki Commons
edição 13 a próxima viagem