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Marselha - conheça os mais belos cafés do Mundo... e muito da História

600 anos antes do nascimento de Cristo, os povos gregos, provindos de Phocée (actual Turquia), fundaram Massalia.
A cidadela datada dessa época estende-se pela margem norte do Vieux-Port e, concentrado à sua volta, subsiste um conjunto de vestígios da mesma altura.

Na Idade Média, a cidade alargou as suas muralhas e foi dotada de construções religiosas importantes, como a abadia de Saint‑Victor, fundada no século V, ou a Catedral Notre Damede la Major, cuja edificação data do século XII. No início do século XVII, Luís XIV ordenou a construção do arsenal das galeras e, assim, a cidade transpôs a Canebière (artéria principal da cidade) e abriu ruas rectilíneas, onde foram erigidos belos hotéis.

Desde o primeiro terço do século XIX, empreenderam‑se obras monumentais, tais como a escavação do canal de Marseille (para trazer água à cidade), ou a estação para acolher a linha ferroviária Paris‑Lyon‑Mediterrâneo, em 1848. Grandes avenidas foram construídas por ocasião da abertura do novo porto de comércio, parecidas com as de Paris. A cidade entrara num período glorioso e faustoso de construções, como a da Nossa Senhora de la Garde, do Palácio de la Bourse ou do Palácio Longchamp.

No início do século XX, a vida trepidante de Marselha concentrou‑se na actividade portuária da Canebière. Nesta famosa avenida reina uma intensa animação graças aos grandes cafés da época, famosos por serem os mais belos do Mundo, e onde se encontram inúmeros negociantes e armadores. Encontram‑se aí também grandiosos hotéis de luxo, onde pernoitam personagens célebres, provindas do mundo político, económico e artístico.

Após a destruição dos bairros antigos, durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade é privada de uma parte do seu património. A margem norte do Vieux‑Port será inteiramente reconstruída na década de 50.

A época contemporânea apegou‑se à reabilitação de edifícios antigos, tais como os Docks (antigos entrepostos) e a antiga fábrica de tabaco. Marselha solicitou os serviços de grandes arquitectos para construir a cidade, tais como Zaha Hadid, Jean Nouvel ou Massimiliano Fuksas.

Monumentos e sítios históricos


Abadia Saint‑Victor

Dominando a margem sul do Vieux‑Port, a abadia foi fundada no século V sobre as ruínas da necrópole antiga. Após várias destruições, a abadia foi fortificada no século XIV, pelo papa Urbano V. As criptas abrigam importantes vestígios do século V e imensos sarcófagos. Foi desta abadia que partiu a cristianização da totalidade da Provença.

Basílica Notre‑Dame de La Garde
Ela é o símbolo da cidade, situada sobre uma colina, a 154 metros de altitude acima do nível do mar. Foi aí que se edificou a primeira capela, em 1214. Em 1524, o rei François I encomenda a construção de um forte. A basílica actual, de estilo romano bizantino, construída segundo os planos do arquitecto Espérandieu, faz parte das grandes obras empreendidas sob o reinado de Napoleão III e foi concluída em 1864. A riqueza dos materiais e o requinte das decorações dos mosaicos, restaurados
Casteli de If Basílica Notre Dame e La Cité Radieuse Abadia Saint-Victor e War Memorial Palácio Longchamp e Estádio Vélodrome Vieux-Port e Vallon des Auffes em 2007, criaram um santuário precioso dedicado ao culto da Virgem Maria. Os imensos ex‑votos (quadros, objectos ou placas gravadas penduradas na igreja, após um voto ou em memória de uma graça obtida), no interior da basílica, testemunham o fervor dos marselheses. Uma virgem dourada de 9,70 metros coroa o edifício. Da esplanada, pode‑se admirar a mais bela vista de Marselha.

Castelo de If
A ilha de If, a mais pequena do arquipélago de Marselha, deve a sua fama ao rei François I, que a visitou em 1516, e, consciente do seu valor defensivo, ordenou a sua fortificação, em 1524. Transformada em prisão de Estado, em 1634, ela recebeu príncipes, filhos de família turbulentos (Mirabeau), protestantes, prisioneiros políticos, revolucionários… Abriu as portas ao público em 1890 e foi classificada monumento histórico. De todos os países, os turistas seguem as pisadas do abade Faria e de Edmond Dantès, os famosos heróis do romance Conte de Monte Cristo, de Alexandre Dumas.

Castelo Pastré
Num dos mais belos parques de Marselha, Jean Baptiste Pastré, presidente da Câmara de Comércio, mandou construir uma grande bastide (casa típica da Provença), no século XIX. Ela acolhe, hoje, o museu da faiança.

Corniche J. F. Kennedy
É um passeio à beira‑mar, que liga o centro da cidade às praias. Oferece uma vista que não corre o risco de ficar escondida, sobre a baía de Marselha e as suas ilhas. As grandes famílias burguesas do século XIX construíram aí moradias soberbas.

L’Estaque
Na ponta norte de Marselha, ao pé das colinas da Nerthe, o Estaque é um dos bairros mais pitorescos que soube conservar a vida própria, o charme e a personalidade. Para os amadores de pintura, Estaque está indissociavelmente ligado a alguns grandes nomes da pintura impressionista, fauvista ou cubista: Cézanne, Dufy, Braque… Este pequeno porto conservou a popularidade com as especialidades típicas, a saborear durante um passeio: os chichi fregi e os panisses (fritos doces e salgados).

Mercado do peixe
Em pleno centro da cidade, no Vieux‑Port, o tradicional mercado do peixe abre todas as manhãs. Nele são vendidos todos os peixes do Mediterrâneo e, em particular, os que guarnecem a famosa bouillabaisse (caldeirada marselhesa).

Palácio Longchamp
Castelo de água da cidade, construído no século XIX, segundo os planos do arquitecto Espérandieu. O palácio é um sumptuoso teatro de água dedicado ao rio La Durance, com cascatas, jactos de água, bacias e imensas esculturas. Nele encontram‑se os Museus das Belas Artes e de História Natural.

Palácio de La Bourse
Palácio construído em 1854. Abriga a mais antiga Câmara de Comércio do Mundo (1599), bem como o Museu da Marinha e da Economia. A decoração esculpida é inteiramente dedicada à gloriosa história do comércio marselhês.

Palácio do Pharo
Antiga residência imperial, construída por Napoleão IIl, este majestoso palácio domina a entrada do porto face ao Forte St. Jean. A sua função principal é acolher congressos e outras manifestações de prestígio. Os jardins públicos oferecem uma vista magnífica sobre o Vieux‑Port.

Estádio Vélodrome
Santuário do futebol marselhês, foi construído por ocasião da terceira Taça do Mundo de Futebol (1937), pelo arquitecto Ploquin. Renovado por J. P. Buffi, para acolher a de 1998, ele pode receber 60 000 espectadores. É o maior estádio francês de província. É a sede da famosa equipa de futebol Olympique de Marseille, que festejou o seu centenário em 1999.

La Cité Radieuse
Obra‑prima do arquitecto Le Corbusier, é uma unidade de habitação terminada em 1952, para solucionar os problemas de habitação colectiva. Este prédio, em forma de paquete urbano, construído em betão bruto sobre 34 estacas enormes, oferece uma nova prática do habitat colectivo aos habitantes, tendo uma rua interior cheia de lojas, um hotel‑restaurante, uma escola, um ginásio e uma área de jogos ao ar livre, um terraço sobre o tecto… verdadeiro serviço público da comunidade. O objectivo do arquitecto era de construir alojamentos individuais destinados a famílias: todos os apartamentos são duplex, com varanda, adaptados às crianças, com interiores em madeira, coloridos e bem iluminados, tendo ainda móveis integrados, para que as famílias possam acomodar‑se facilmente. O terraço, no telhado, oferece uma vista panorâmica sobre a baía de Marselha.

Vallon des Auffes
Esta antiga aldeia de pescadores possui os restaurantes de peixe mais famosos de Marselha. Os cabanons (antigas habitações de pescadores) estão agrupados à volta de um pequeno porto tranquilo, onde ancoram as barquettes (barquinhas típicas coloridas). Para aceder a este vale seco passa‑se pela Corniche, através de escadinhas e de uma ruazinha, que proporcionam um passeio agradável, a poucos minutos do centro da cidade.

Cidade Velha, le Panier
É neste bairro de ruas estreitas e sinuosas, situado na margem norte do Vieux‑Port, que se encontram os mais antigos monumentos de Marselha, construídos desde a Antiguidade até à nossa época (Maison Diamantée, La Vieille Charité, l’Hotel Dieu…). Actualmente em renovação, este bairro atrai imensos artesãos e passa por um renascimento das actividades tradicionais (fabricantes de santons – personagens do presépio em barro –, lojas de sabonetes, fábricas de bombons, faianças, loiças…).

Vieux‑Port
Um lugar excepcional no centro da cidade: a enseada do Lacydon, descoberta há 2600 anos, oferece, hoje, 3500 amarrações para barcos de recreio. O Vieux‑Port está rodeado de monumentos ilustres: o Forte Saint‑Nicolas, o Forte Saint‑Jean, o Palácio do Pharo, a Igreja Saint‑Laurent, a câmara municipal, o Hotel Dieu e o famoso campanário dos Accoules. O Vieux‑Port é um lugar muito animado, com o mercado de peixe e os restaurantes.
La Passion du Christ

Museus

Museu das Belas Artes
Instalado, desde 1869, na ala esquerda do Palácio Longchamp, o Museu das Belas Artes agrupa, em dois andares, conjuntos importantes das escolas francesas, italianas e flamengas: Pérugin, Carrache, Rubens, Vouet, David, Courbet... assim como um conjunto de esculturas. A escola provençal do século XVII ao século XIX constitui um dos momentos mais intensos das colecções, onde se encontram obras de Puget, Serre, Mignard, Loubon, Monticelli, Guigou...

Museu Grobet‑Labadié
O museu reconstitui a atmosfera intimista de um hotel particular do século XIX, abrigando as colecções de um casal de amantes de arte, o músico Louis Grobet e Marie‑Louise Labadié (esculturas, pinturas, desenhos, mobiliário, tapeçarias e faianças do século XIII ao século XVIII).

Museu de História Natural
Na ala direita do Palácio Longchamp, o Museu de História Natural apresenta uma sala de zoologia mundial e quatrocentos milhões de anos de História da Provença. Uma biblioteca científica para crianças e adultos está ao dispor do público.

Museu dos Docks Romanos
Situado sobre as fundações de um entreposto de comércio romano, este museu abriga vestígios que testemunham a actividade económica dessa época (do século VI a.C. até ao século IV): as dolia (grandes ânforas de armazenamento).


Museu de Arqueologia Mediterrânica
Situado no Centro da Vieille Charité, este museu possui a segunda maior colecção egípcia, de França, bem como uma colecção rara de objectos da vida quotidiana da civilização celta ligúrica, datando do século III a.C. A secção de antiguidades reflecte as grandes correntes da História, que evoluíram em torno do Mediterrâneo.

Museu de Arte Africana, Oceânica e Ameríndia
Situado no centro da Vieille Charité, este monumento apresenta um conjunto excepcional de esculturas oriundas destes três continentes.

Museu Cantini
Num hotel particular, construído no final do século XVII, foi reunida uma das mais belas colecções públicas francesas (pinturas e esculturas) dos movimentos do fauvismo e do surrealismo, bem como obras de artistas do pós‑guerra (1945), tais como: Dufy, Ernst, Léger, Matisse, Miro, Derain...

Museu da História de Marselha e Jardim de Vestígios
A actualização dos vestígios do porto e das muralhas antigas originou um museu consagrado à História da cidade. Nele descobre‑se a carcaça de um navio naufragado no século III a.C., testemunho da fundação da metrópole. Uma apresentação dos resultados das escavações arqueológicas efectuadas na cidade e da colecção original de brasões das grandes famílias marselhesas permitem retratar a História de Marselha até ao século XIX.

Museu da Marinha e da Economia
Está situado dentro do Palácio de la Bourse. Apresenta gravuras, quadros e maquetas, retratando o passado económico da cidadela portuária, desde o século XVI.

Museu de Arte Contemporânea
Desde Maio de 1994, o edifício, de 4000 metros quadrados, abriga correntes pictóricas de 1960 até à actualidade. Nele encontram‑se representantes do novo realismo até à arte contemporânea: César (escultor marselhês e criador dos troféus do Festival Internacional do Cinema de Cannes), Cristo e Criadores de Cartazes. Exposições temporárias são apresentadas em paralelo com colecções permanentes.

Guia do Viajante

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portugal

onde ficar

Citéa Marseille Saint Charles
23, Rue Honnorat
Localizado apenas a 100 metros da Estação Ferroviária de Saint Charles, oferece acomodações climatizadas espaçosas, com kitchenettes completamente equipadas.

Radisson Blu Hotel Marseille Vieux Port
38‑40, Quai Rive Neuve, Vieux Port – La Canebiére
Este Hotel Radisson Blu está situado em frente ao Porto Velho de Marselha. Oferece acomodações de quatro estrelas, uma piscina exterior e uma sala de fitness. Está disponível o acesso Wi‑Fi gratuito.

Adagio Marseille République
30, Rue Jean Trinquet, Vieux Port – La Canebiére
Está localizado no centro de Marselha, a dez minutos a pé do Porto Velho. Oferece apartamentos de estilo moderno, com casa de banho privativa, televisão LCD e cozinha em cada um.

Holiday Inn Express Marseille Saint Charles
15, Boulevard Maurice Bourdet
Fica em frente à estação de comboios Saint‑Charles e a dez minutos a pé do Vieux Port, no centro de Marselha.

Adagio Marseille Prado Plage
46, Rue des Mousses, La Corniche – Stade Vélodrome

Escale Oceania Marseille Vieux Port
5, La Canebière, Vieux Port – La Canebière

Hôtel Belle‑Vue
34, Quai du Port, Vieux Port – La Canebière

Suite Affaire Marseille Vieux‑Port
4, Rue Coutellerie, Vieux Port – La Canebière

Citéa Marseille Prado Perier
161, Avenue de Prado, La Corniche – Stade Vélodrome

Hotel Terminus Saint‑Charles
1, Place des Marseillaises, Vieux Port – La Canebière

onde comer

Le Petit Nice Passédat – Saint‑Victor
17, Rue Braves, 13007

Restaurant La Côte de Boeuf – Opéra
35, Cours Honoré d’Estienne d’Orves, 13001

Coquillages Toinou – Opéra
3, Cours St. Louis, 13001

L’ Epuisette – Saint‑Victor
156, Vallon des Auffes, 13007

Brocéliande – Opéra
9, Euthymènes, 13001

La Trilogie des Cépages – Opéra
35, Rue de la Paix Marcel Paul, 13001

Espace Julien – Préfecture
39, Cours Julien, 13006

La Caravelle – Hôtel de Ville
34, Quai du Port, 13002

Les Trois Forts – Saint‑Victor
36, Boulevard Charles Livon, 13007

Restaurant Chez Fonfon – Saint‑Victor
140, Vallon des Auffes, 13007

gastronomia

Os marselheses apreciam as coisas simples: o quadro de vida, cujo clima é ideal, a proximidade do mar e a riqueza aromática ao alcance da mão influenciaram, naturalmente, a gastronomia regional. Assim, a base da cozinha é composta de produtos frescos da região provençal (tomate, curgete, beringela, pimento e funcho) e de uma grande variedade de peixes. Cada artista exprime uma maneira de combinar todos estes ingredientes com os condimentos (alho, tomilho, alecrim, segurelha, alecrim, cebolinha e, evidentemente, azeite!). As trocas, com o Mediterrâneo, através da actividade portuária da cidade, enriqueceram a cultura local de especiarias e de sabores do Mundo inteiro. Os restaurantes tradicionais e internacionais seguem lado a lado e não é raro que as grandes mesas enfeitem as receitas típicas com tonalidades exóticas.

compras

Existem boas opções de lojas de antiguidades, que se localizam nas imediações da Mairie, no centro de Marselha, sobretudo nas ruas Edmond Rostand, Sylvabelle e Saint Jacques. Na Corte Julien ocorre, no segundo sábado de cada mês, uma feira de livros antigos, e no segundo domingo, uma feira tradicional de objectos raros.

A região de Le Panier é a melhor para os amantes das artes e do artesanato. É repleta de ateliers de pintores, escultores e diversos artesãos; não faltam opções para as compras.

No que diz respeito à moda, logo no centro, a Paradis é a rua das lojas de grife. Se lá estão as marcas mais famosas do Mundo, bem perto dali, na Corte Julien, existem ateliers de artistas franceses, os quais prometem um estilo único, tanto nas peças que constam nos mostruários como nas feitas sob encomenda. Na Rue de La Mode, logo ao lado, surgem boutiques de estilistas marselheses.

 

informações

Documentos
Basta levar o Cartão de Cidadão/Bilhete de Identidade e convém também levar o Cartão Europeu de Seguro de Doença.

Moeda
Euro

Idioma
Francês

Diferença horária
Fuso horário padrão: UTC/GMT +1 hora

clima

Marselha possui um clima mediterrânico, com Invernos moderados e Verões de moderados a quentes e secos. A temperatura média anual é de 15º.

--> Texto: Luís Peniche (luis.peniche@impala.pt) | Fotos: Arquivo Impala, Wiki Commons e Flickr
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