Pedro Melim, o português que foi a Tromso “caçar” auroras boreais

Pedro Melim, o português que foi a Tromso “caçar” auroras boreais

Pedro Melim, o português que foi a Tromso “caçar” auroras boreais

Ver ao vivo o fenómeno incrível que são as auroras boreais era um dos grandes sonhos do fotógrafo português Pedro Melim. Foi concretizado em fevereiro de 2019, numa viagem a Tromso. “Ir ao Ártico assistir a este fenómeno era um desejo antigo e desde que comecei a fotografar em 2005 a vontade foi crescendo. Acredito, aliás, que está na lista de todos os que adoram fotografia e viagens”, começa por contar em conversa com A Próxima Viagem.

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Esta viagem exigiu uma cuidadosa planificação. “Comecei a prepará-la em Setembro, cinco meses antes de partir. Fiz pesquisas por voos, rent-a-cars e alojamentos e escolhi uma data. Em outubro comprei a viagem e já não havia volta a dar, reservei casa, aluguei carro e fui comprar roupa quentinha”, revela.

“Ir ao Ártico assistir a este fenómeno era um desejo antigo”

Pedro Melim explica por que razão optou por uma cidade norueguesa e não pela Islândia. “Escolhi Tromso porque tem a cervejaria mais a norte do Mundo (risos). Não, estou a brincar. A verdade é que os preços, apesar de caros, eram mais baratos do que para a Islândia. Estou a referir-me ao voo Lisboa-Olso-Tromso, ao aluguer de carro, alojamento e alimentação”, refere.

Não foram apenas razões económicas que o levaram a escolher Tromso, “mas também o facto de ser dos melhores sítios do mundo para ver Auroras Boreais, pois mesmo com pouca intensidade, as luzes do norte conseguem ser avistadas facilmente, desde que o tempo o permita”.

Fevereiro é o mês ideal para ver auroras boreais

Pedro Melim teve ainda o cuidado de escolher muito bem a altura do ano para visitar Tromso. “A época das auroras boreais é entre setembro e março, mas os melhores meses são dezembro, janeiro e fevereiro. Só que em dezembro e janeiro o inverno é muito rigoroso, com muito frio e é noite o dia inteiro, o sol não nasce e o céu está muitas vezes encoberto. Em fevereiro existe a possibilidade não só de ver as auroras, mas também as paisagens montanhosas brancas da neve com luz do dia”, sublinha.

Quando chegou a Tromso as perspetivas de assistir a uma Aurora Boreal não eram as melhores. “Quando o avião aterrou em Tromso estava nublado e a meteorologia não trazia boas notícias, com previsão de céu nublado com muita queda de neve. No entanto, a esperança de uma noite com céu limpo permaneceu”, diz. E lá acabou por surgir a tão esperada oportunidade, com o já esperado frio de rachar. “A neve era muita e cobria casas e montanhas. A máxima foi de 2 graus negativos e as mínimas, na montanha, de 16 graus negativos, mas a sensação térmica chegou a ser de 27 graus negativos”, recorda.

“Paz misturada com a euforia de estar a ver magia”

Em cinco noites teve a sorte de ter dois dias bons para assistir a auroras boreais e outro com céu parcialmente nublado. “Dava para ver o verde das auroras por cima das nuvens. No primeiro dia de céu limpo preparámo-nos e fomos ao supermercado comprar braseiros portáteis descartáveis, usados pelos noruegueses, e fizemos um churrasco com a temperatura de 7 graus negativos. Rapidamente surgiram as primeiras luzes no céu”, recorda.

“A melhor hora para ver é entre as 20 horas e as duas da manhã, mas nesse dia de céu limpo estive a fotografar até às 4h da manhã. Foi espetacular, não há descrição possível. É uma paz misturada com a euforia de estar a ver magia, simplesmente arrepiante”, acrescenta, maravilhado.

A incrível casa na montanha

O fotógrafo permaneceu seis dias na Noruega. “Não fiquei em Tromso, mas sim nas montanhas, num fiorde a 75 km da cidade. Isto era para ser uma viagem de duas pessoas que se transformou numa viagem de nove pessoas, das quais seis adultos e três crianças. Optámos por ficar fora de Tromso porque no centro da cidade os alojamentos eram mais caros e muito pequenos. Os quartos tinham beliches e tínhamos de ficar todos separados, então surgiu a ideia de arranjarmos uma casa na montanha para todos. A distância não era problema porque tínhamos carros e e foi a melhor coisa que fizemos”, garante.

 

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O cenário que tinha à sua frente era magnífico. “A casa situava-se em frente ao Skogsfjordvatnet, o maior lago dos fiordes noruegueses, completamente congelado. Era espetacular a sensação de acordar e da janela ver a montanha completamente branca à tua frente, ou sair de casa e mergulhares do alpendre seminu para a neve. E estávamos isolados, éramos só nós, os alces e as renas”, revela.

O dia a dia na Noruega

Pedro conta-nos como foi o seu dia a dia. “Numa ocasião, fui às compras, para abastecer o frigorífico da casa da montanha e conhecer a vizinhança, que eram apenas duas pessoas, os donos do alojamento (risos). Noutro dia fui visitar a cidade de Tromso. Aqui destaco o Museu Polar e a Cervejaria Mack, a tal mais a norte no mundo, e ainda a Catedral do Ártico”, conta. No entanto, o que mais lhe encheu as medidas foi “fazer a subida no teleférico e ver do miradouro a panorâmica da ilha de Tromsoy-Sund, onde se situa a cidade de Tromso”.

Noutras ocasiões, meteu-se no carro e procurou sítios para fotografar, deixando de lado os habituais programas turísticos como “andar de rena e alimentá-las com o povo Sami, ou passear de barco para ver orcas e baleias, ou ainda passeios de trenó puxado por Huskies”. Acabou por poupar bastante dinheiro, pois revela que “cada experiência dessas custa cerca de 150 euros por pessoa, preço também pedido pelas empresas que fazem caça à aurora”. No entanto, como tinha carro e as referências dos melhores spots, não foi preciso despender essas quantias.

Dicas para quem quer ver auroras boreais

A terminar a conversa com A Próxima Viagem, Pedro Melim fornece algumas dicas para quem quiser assistir a auroras boreais. “Planear com tempo a viagem e marcar com antecedência alojamento. Pois em fevereiro os noruegueses fazem uma semana de férias e também viajam para norte para ver as luzes. Se a viagem é em grupo, a melhor opção será alugar casa na montanha. É muito mais bonito e a dividir por todos fica mais barato do que dormir no centro de Tromso”, destaca.

O fotógrafo recomenda “o aluguer de um carro e visitar todos os fiordes que rodeiam a cidade de Tromso, pois os carros estão preparados com pneus para a neve e conduzir na neve é muito mais seguro do que se possa imaginar, com o aliciante de haver renas e alces no caminho”.

E, claro, escolher vestuário adequado. “Trazer roupa quente.  Quatro camadas ou mais, mais duas camadas para as mãos e botas para a neve preparadas para 15 graus negativos. Além de um gorro daqueles da Sibéria que tapam cabeça pescoço e orelhas. As pessoas não se podem esquecer que vão estar horas a olhar para o céu enterradas na neve, entre vales e montanhas, com temperaturas negativas”, avisa. Por último, “é necessário ter sempre água, termo com chá ou café e snacks”. E para quem gosta de fotografia, “levar uma câmara com uma boa lente grande angular e tripé”.

Percorra a galeria e veja mais fotos da viagem de Pedro Melim a Tromsø.

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