O Palácio que já é Património Mundial e mais para ver e fazer em Mafra

O Palácio que já é Património Mundial e mais para ver e fazer em Mafra

O Palácio que já é Património Mundial e mais para ver e fazer em Mafra

Artigo de André Cruz Martins

O Real Edifício de Mafra, juntamente com o Bom Jesus de Braga, foi o mais recente local em Portugal a ser eleito Património Mundial pela UNESCO. A decisão foi tomada na 43.ª Sessão do Comité do Património, em Baku, no Azerbaijão.

< >

A decisão levou em conta “as características históricas, sociais e artísticas que definem o valor universal excepcional deste monumental conjunto, formado pelo Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada”. Esta distinção é mais um chamariz para visitar a bela zona de Mafra e os seus arredores, a meia hora de Lisboa.

O Palácio Nacional de Mafra tem 1200 divisões

O Palácio Nacional de Mafra foi construído no início do século XVIII. D. João V, o “Rei Magnânimo” (1689-1750), mandou construir um Palácio-Convento, em cumprimento da promessa que fez, caso a Rainha lhe desse descendência.

É um conjunto arquitetónico barroco, formado por um Paço Real, uma Basílica e um Convento. Possui importantes coleções de escultura italiana, de pintura italiana e portuguesa e uma biblioteca de grandes dimensões. E ainda dois carrilhões, seis órgãos históricos e um hospital do século XVIII. O Palácio está integrado na Rede de Residências Reais Europeias.

Leia ainda: Ericeira: a vila do surf, dos alojamentos originais e do melhor marisco perto de Lisboa

Em pedra lioz da região, ocupa 38.000 metros e tem 1200 divisões, 4700 portas e janelas e 156 escadas. Esta majestosa construção só foi possível devido à chegada de ouro do Brasil. Não era a residência habitual da Família Real, mas recebia muitos reis, que ali assistiam a festas religiosas ou de outra índole.

O convento e a grandiosa biblioteca

O Convento de Mafra foi concebido inicialmente como um pequeno convento para 13 frades, o projecto para o Real Convento de Mafra foi sofrendo sucessivos alargamentos, acabando num enorme edifício com cerca de 40 mil m2, que acolheu o dia-a-dia de 300 frades da Ordem de São Francisco. Atualmente, é sede da Escola das Armas e pode ser visitado, necessitando de marcação prévia.

O Palácio Nacional de Mafra possui uma das mais importantes bibliotecas portuguesas, com cerca de 30 mil volumes, que se encontram em estantes no estilo rococó. Muitas das encadernações são em couro, gravadas a ouro. Muitas obras foram encomendadas por D. João V, não só de autores do reino mas também do estrangeiro.

Aqui encontram-se obras raras e extremamente valiosas, como a coleção de incunábulos (obras impressas até 1500), diversas Bíblias ou a primeira Enciclopédia (conhecida como de Diderot et D’Alembert) e os Livros de Horas iluminados, do Séc. XV.

A Tapada de Mafra

A Real Tapada de Mafra foi criada em 1747 com o objectivo de proporcionar um espaço de recreio para o Rei e a sua corte e ainda para fornecer lenha e outros produtos ao Convento. Tinha 1200 hectares e era rodeada por um muro com 21 quilómetros de extensão.

Desde o século XVIII até à Implantação da República, a Real Tapada de Mafra foi local privilegiado de lazer e de caça dos monarcas portugueses. Hoje em dia, caracteriza-se pela biodersidade, com muitas espécies de animais e plantas. A maior parte da área está vedada ao público, mas é possível percorrer grande parte da tapada através de uma viagem de comboio, enquanto se observam veados, gamos, raposas, javalis e outros animais.

O Jardim do Cerco

O Jardim do Cerco, inspirado nos jardins do Palácio de Varsalhes, é a transição perfeita entre a vastidão da Tapada Real e a monumentalidade do Palácio Nacional de Mafra. Possui espelhos de água, grandes árvores e caminhos largos. O bosque e os jardins ocupam 8 hectares, não faltando boas sombras, cascatas e até a Horta dos Frades, onde se encontram as plantas utilizadas nos produtos medicinais (farmácia), aquando da sua construção, ordenada por D. João V. Destaca-se ainda o Horto das Aromáticas, com 39 espécies de plantas que têm intuitos medicinais e condimentares.

Há mais para ver em Mafra

O Real Edíficio de Mafra é sem dúvida o grande motivo de interesse para visitar no concelho, mas há mais para descobrir. Se gosta de animais, não deixe de visitar o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, no Gradil.

Mesmo ao lado de Mafra fica a Ericeira, conhecida pelas belas praias, indicadas para a prática do surf. A Praia de Ribeira d’Ilhas é a mais conceituada, sendo palco de múltiplas provas nacionais e internacionais de surf.

Veja também: Estes são os 15 lugares mais surpreendentes na Europa

A Ericeira é também conhecida pelos excelentes restaurantes de peixe e marisco. Um dos seus melhores representantes gastronómicos é a Esplanada Furnas, que para além da qualidade das refeições oferece uma magnífica vista ao pôr do sol. Na Marisqueira Mar à Vista, na Praia dos Pescadores, para além dos mariscos, há fantásticas massadas, açordas e cataplanas.

Não deixe também de passar pela Aldeia-Museu José Franco, entre Mafra e a Ericeira. A história desta pequena aldeia remonta ao nascimento do oleiro José Franco, em 1920. Existe um museu em sua memória onde é possível apreciar figuras e réplicas à escala humana de muralhas de castelos. Destaca-se ainda uma pequena adega onde é possível provar o vinho da região e a padaria, que vende o famoso pão com chouriço.

< >

Partilhar Artigo

Top