Exposição de Miguel d’Alte, o «pintor maldito», em Lisboa

Exposição de Miguel d’Alte, o «pintor maldito», em Lisboa

Exposição de Miguel d’Alte, o «pintor maldito», em Lisboa

Artigo de Redação

Enquadrada no projeto de investigação e divulgação do pintor Miguel d’Alte (1954-2007), é inaugurada no dia 6 de abril de 2018, pelas 21:30, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, a exposição Retrospetiva(s): Capítulo VII, com curadoria de Helena Mendes Pereira.

À exposição soma-se o lançamento de «Miguel D’Alte:Palavras Escritas à Lua», livro que reúne escritos inéditos do autor, prefaciado pelo pintor Jaime Silva e com texto introdutório de Helena Mendes Pereira.

O projeto tem como objetivo lançar um novo olhar sobre a obra de um homem que ficou para a nossa história recente como «pintor maldito», seguindo os exemplos (à época) de Caravaggio (1571-1610), Amadeo Modigliani (1884-1920), Ismael Nery (1900-1934), Bruno Amadio (1911-1981), Van Gogh (1853-1890), Edvard Munch (1863-1944) ou, no caso português, Santa-Rita Pintor (1889-1918).

A investigação é financiada, exclusivamente, por mecenas privados e apoiado, a título institucional, por um grupo muito vasto de instituições de todo o país, que trabalharam, quase todas, com este pintor, entre as quais se incluem a Cooperativa Árvore (Porto), Fundação Bienal de Cerveira, Câmara Municipal de Gaia, Galeria Alvarez (Porto), Galeria Pedro Oliveira (Porto), Museu Nogueira da Silva (Braga), Sociedade Nacional de Belas Artes, CAE da Figueira da Foz, Fundação Escultor José Rodrigues (Porto) e Casa das Artes de Tavira, entre outras.

 

Quem é o «pintor maldito»?

Miguel d’Alte nasceu em Braga, a 2 de fevereiro de 1954. Ainda bebé foi morar com os pais para Moçambique de onde só regressa no final do ano de 1973. No Liceu da Beira é aluno de José Afonso por quem nutrirá, para sempre, profunda admiração.

Participa na sua primeira exposição coletiva, em Portugal, em 1975 e, em 1976 ingressa no Curso Geral de Pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto (atual FBAUP). É este o ano, o de 1976, que o pintor identifica como aquele em que iniciou o seu percurso «acidental e acidentado», numa autografia encontrada entre os seus apontamentos.

Em 2016, passados 40 anos, precisamente, sobre tal data, iniciou-se este projeto de exposições com o objetivo de promover a releitura da sua obra. «Pintor maldito», como o apelidou o pintor Henrique Silva, a história de Miguel d’Alte poderia assemelhar-se à de um Van Gogh.

Em vida foi-lhe sempre reconhecido talento, fez várias exposições individuais, participou num sem fim de coletivas, ganhou prémios (sobretudo na década de 1980) e sobre ele escreveram importantes críticos como Bernardo Pinto de Almeida, Eduardo Paz Barroso, Fátima Lambert, Eurico Gonçalves, Rui Mário Gonçalves, entre outros. Miguel d’Alte viveu entre o Porto, Lisboa e Vila Nova de Cerveira.

Em Lisboa morou durante de, aproximadamente, 1990 e 2002, tendo esta cidade marca e influência na sua produção artística. A exposição que se inaugura na Sociedade Nacional de Belas Artes dá enfoque, precisamente, à produção artística pós 1990 e até à sua morte, em 2007.

Contudo, o pintor manteve sempre uma espécie de «alergia» ao mercado da arte e às tentativas de manipulação e mercantilização que considerava serem feitas do seu trabalho.

Morreu de forma trágica, colhido por um comboio em Vila Nova de Gaia, entre os apeadeiros de Miramar e Francelos, na tarde de 24 de dezembro de 2007, véspera de Natal.

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