Bora Bora: A ilha dos amores

Bora Bora: A ilha dos amores

Bora Bora: A ilha dos amores

Artigo de Redação

A ilha revela-se mais poderosa e mais poética do que qualquer fantasia que se tenha tecido sobre a sua beleza. É o velho sonho da ilha encantada que se desenrola, em tons de jade e azul-turquesa, diante dos nossos olhos incrédulos. Lembro-me de comentar quando cheguei: «Isto parece um filme». De facto, parece uma daquelas películas que nos transportam para idílicos românticos em areais brancos ou aventuras marítimas com peixes de mil cores.

Tudo o que se diz sobre Bora Bora pode parecer exagero, mas não basta. Sem medo de faltar à verdade, arrisco dizer que os arquipélagos da Polinésia Francesa – onde se situa Bora Bora – são dos últimos paraísos na Terra. Um lugar onde o conforto e luxo se fundem em harmonia com a Natureza generosa, que transborda de flores e frutas cujos perfume, cor e paladar nos acompanham de manhã à noite. Os ananases nascem à beira da estrada, as papaias piscam-nos o olho em árvores sem dono, as bananas quase pedem para ser colhidas quando se põem todas amarelas ao sol…

As flores são uma constante. Estão no cimo das árvores, caídas no chão, flutuam na água mansa e enfeitam as mesas de refeição, as camas, os carros e, acima de tudo, as mulheres. Nas ilhas da Polinésia, é mais difícil encontrar uma mulher sem uma flor no cabelo do que uma agulha num palheiro. No entanto, é o mar que nos lava a alma cansada de futilidades e belezas fabricadas à medida dos sonhos e dos engenhos dos homem.

O mar é uma paleta de azuis metálicos, onde as diferentes tonalidades se cruzam numa mistura incrível. A placidez das águas deixa que a aguarela oceânica permaneça imperturbável e na sua quietude nos deleite dia e noite. Na verdade, o mar que avistamos e onde nos banhamos em Bora Bora não é aberto ao Oceano Pacífico, mas sim uma baía, a maior e a mais bela de que há registo. É por isso que as águas são cálidas, transparentes e repletas de vida. De tal forma que, com água pela cintura, já é possível ver cardumes de peixes tropicais. Ainda que os que desejam mais adrenalina possam preferir nadar com raias e alimentar tubarões. Há inúmeros passeios organizados que incluem um tour marítimo, atividades aquáticas – mergulho, snorkeling, alimentação de tubarões e raias – e um piquenique numa das pequenas ilhas que cercam a ilha-mãe.

JARDINS DE CORAL
Como qualquer viajante que se preze, também embarcámos numa dessas aventuras, cheios de expectativas e equipamento. Barbatanas, óculos, tubos,respiradores, toalhas, protetores solares, sapatilhas de sola de borracha e câmara digital à prova de água. Entrámos no barco do Jonas, um rapaz tão apaixonado por aquele mar que, se não mostrasse uma mestria que só a prática oferece, dir-se-ia que era a primeira vez que se fazia ao oceano, tal era a forma intensa como beijava (isso mesmo!) cada uma das raias.

Confesso que a viagem já teria valido a pena se apenas tivesse tido a oportunidade de olhar para Bora Bora vista do mar. A ilha que há três milhões de anos se elevou do caos de um vulcão irradia um brilho mítico. Por trás dos estreitos areais brancos, onde parece cair o mar azul-turquesa, erguem-se um cume de basalto quadrangular e os montes Pahia e Otematu, cujos verdes extensos e intensos emprestam uma tonalidade trágica ao ambiente. No entanto, a viagem havia de trazer-me muito mais proveito e fazer o meu coração bater mais depressa…

Jonas mostrou-nos tudo. Tinha escolhido com justo conhecimento de causa os lugares onde havíamos de ancorar o barco e cada uma das paragens era uma nova revelação. Primeiros as raias, essas bailarinas achatadas que nos roçam as pernas, posam para a foto e vêm comer à mão do guia, que retribui a gentileza com um beijo.

A água, bastante salgada, ajuda-nos a flutuar e é sem esforço que, de cabeça dentro água, as observamos no seu mutismo aquático. São tão macias e tão dóceis que facilmente nos esquecemos de que são animais selvagens. Parecem gatos no seu vai e vem preguiçoso.

Estava previsto, mais tarde, irmos nadar com tubarões, ato que eu estava mais inclinada a rejeitar do que a anuir. Todavia, os malandros visitaram-nos de surpresa. Jonas avistou dois. Tinham sido atraídos pelo peixe que oferecíamos às raias e vieram averiguar se havia mais daquela comida fácil. Eram dois barbatana branca que, embora estejam longe de ser assassinos impiedosos, já representam algum perigo, se estiverem demasiado perto. Nadaram à nossa volta, desenhando o perímetro do barco, uma e outra vez. Para mim, a banhoca acabou ali. Fiquei no barco, espantada com a proximidade a que tinham chegado sem que ninguém os visse.

Satisfeitos que estávamos com as raias e a visita dos barbatana branca, deixámos que Jonas prosseguisse. A paragem seguinte foi para alimentar tubarões. Desta vez, eles eram muitos, mas o encontro já era esperado. Não sei dizer porquê, nem como, mas o que se passou neste local foi o seguinte: Uma corda foi colocada de modo a ficar à tona e, tanto os turistas como os guias ficam de um lado dessa corda, enquanto do outro perfilam-se tubarões à espera de comida gratuita. Ninguém atravessa o limite e, assim, regressamos todos sãos e salvos a casa.

Antes do repasto à moda da Polinésia, ainda nadámos num jardim de coral, uma autêntica floresta aquática onde peixes de mil cores vivem numa agitação constante entre as chamadas “flores do mar”.

 

PARTIR O COCO
Por norma, os locais gostam de fazer piqueniques nas ilhas mais pequenas que cercam a ilha principal. Essas pequenas ilhotas são os motus e é lá que ficam as melhores praias da Polinésia. Ora, foi num desses piqueniques que saboreámos o melhor da cozinha insular: peixe cru com leite de coco, atum grelhado com molho agridoce, pão de coco, melancia, papaia, manga e ananás… Tudo isto servido num prato feito de folhas entrançadas.

Já de barriga cheia, é tempo de aprender qualquer coisa. As canções, entoadas em taiticiano, têm qualquer coisa de luso, que não nos escapa aos ouvidos. A razão está bem à vista: o cavaquinho. O pequeno instrumento viajou com os portugueses até estas paragens longínquas e caiu nas boas graças dos habitantes locais. Ainda hoje é usado nas canções tradicionais. À cantoria segue-se a dança e é nessa altura que aprendemos os primeiros passos das bamboleantes coreografias das bailarinas do Taiti. Finalmente é hora de partir o coco. Uma estaca afiada, espetada no chão, é tudo o que precisamos para abrir essa fruta caprichosa, que depois se quebra com uma pancada seca. Após a explicação, cabe aos turistas experimentar, mas é com prática que se chega lá e muitos acabam por desistir da proeza.

Os dias são longos em Bora Bora. A ilha está repleta de maravilhas por descobrir. Pequenos tesouros, como coral branco como neve que dá à costa, enchem o tempo de uma doçura sem igual, mas as noites são realmente feitas para dormir. Depois do pôr-do-sol, que é digno de registo, pouco ou nada há para fazer, excetuando jantar. Seja como for, pelas 22h00 é noite cerrada e não se vê vivalma na rua, até mesmo em Bora Bora, uma das ilhas mais turísticas de toda a Polinésia.

A CIDADE GRANDE

Ficámos alojados no Bora Bora Nui Resort, num dos oito motus de Bora Bora, mas não perdemos a oportunidade de ir à ilha principal para conhecer Vaitapé, ou a cidade grande, como é conhecida. Vale a pena explicar, antes de prosseguir, que chamar grande a Vaitapé é um enorme exagero, se a compararmos às metrópoles europeias, mas aqui é forçoso olhar para tudo com outro olhar. Nesta grande cidade, atravessada por uma única estrada, encontramos quatro lojas e um mercado, uma estação de serviço, duas igrejas, um snack bar, dois bancos, uma farmácia e pouco mais, mas como é possível alugar carros, motas e bicicletas, por que não explorar as imediações e descobrir que, se apanharmos a estrada do centro da cidade e continuarmos sempre em frente, estamos de volta ao ponto de partida em menos de uma hora? Para ficar a saber mais, é necessária uma excursão ao interior da ilha. Estes pas­seios são levados a cabo em veículo 4X4, os únicos que nos podem levar encosta acima por caminhos tortuosos. A viagem quebra os quadris, mas o incómodo é esquecido quando se sai do jipe e se olha em volta. Afinal, não foi por acaso que o capitão Cook chamou a Bora Bora a Pérola do Pacífico. ?

Texto e fotos:Luís Correia

< >

Guia do viajante

Onde ir

Onde comer

Restaurant La Suite
La Villa Mahana
La Bounty
Restaurant St. James

Onde ficar

Sofitel Bora Bora Marara Beach Resort
Bora Bora Pearl Beach Resort & Spa
Meridien Bora Bora
Hilton Bora Bora Nui Resort Hotel
Sofitel Bora Bora Marara Beach Resort
Bora Bora Pearl Beach Resort & Spa
Meridien Bora Bora
Hilton Bora Bora Nui Resort Hotel
Restaurant La Suite
La Villa Mahana
La Bounty
Restaurant St. James

Clima

Tropical e agradável durante todo o ano com temperaturas que rondam sempre os 25º C. A época menos chuvosa é entre junho e outubro. A humidade constante obriga ao uso de roupa fresca e arejada, preferencialmente de algodão. Nos hotéis, à noite, o ambiente pode ser ligeiramente mais formal.

Documentos

Se tem um passaporte de leitura ótima com validade superior a seis meses não precisa de visto.

Outras Informações

Moeda: Franco do pacífico francês. Idioma: Francês e taitiano. O inglês é amplamente falado nos circuitos turísticos. Fuso horário: UTC/GMT -10/-11 horas Joias do Pacífico: As pérolas negras taitianas são o tesouro local mais cobiçado. Nascidas nas lagoas azuis-turquesa de água quente, cujos tons variam entre os cinzentos, prateados, rosas, verdes e azuis-profundos, não existem duas pérolas negras iguais. Símbolos de elegância, beleza e exclusividade, são o produto-estrela do artesanato local. É fácil encontrá-las à venda nas várias ilhas da Polinésia e os seus preços, tamanhos e graus de pureza são variáveis. Para escolher a joia perfeita, pode mesmo consultar um marchand especialista na avaliação de pérolas.

Partilhar Artigo

Top