Um roteiro de três dias com o melhor de Trás-os-Montes

Um roteiro de três dias com o melhor de Trás-os-Montes

Um roteiro de três dias com o melhor de Trás-os-Montes

Artigo de André Cruz Martins

Trás-os-Montes, a região mais a noroeste de Portugal, é uma das zonas mais bonitas do país. Tem paisagens de encantar, gastronomia magnífica e possibilidades de alojamento fantásticas. As cidades de Vila Real e de Bragança, separadas por 118 quilómetros, são os limites a sul e a norte desta região paradisíaca, onde não faltam locais interessantes a visitar. Preparámos uma escapadinha de três dias para que possa desfrutar de algumas das preciosidades de Trás-os-Montes.

O monumental Palácio de Mateus e a Sé

O primeiro dia do nosso roteiro começa manhã cedo por Vila Real, a capital do distrito de Trás-os-Montes. Comece por visitar o Palácio de Mateus, a atração mais conhecida da cidade. Foi mandada construir na primeira metade do século XVIII pelo terceiro Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão. O Palácio, do estilo Barroco, é constituído pela casa principal, pelos jardins, a Adega e uma Capela.

No interior da casa encontra-se uma biblioteca com mais de 6000 volumes, onde se destaca a célebre edição ilustrada dos Lusíadas de Luís de Camões, de 1816. Nas restantes divisões da casa, maravilhe-se com as únicas peças de mobiliário, tapetes, loiças, vestes e relíquias. Referência ainda para o amplo jardim, ideal para relaxar em comunhão com a natureza. É ainda possível fazer uma prova de vinhos.

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De seguida, pode visitar a Sé de Vila Real. Construída no século XV, é considerada o melhor exemplo de arquitetura gótica na região de Trás-os-Montes. É sede da Diocese de Vila Real desde 1924. Na sua fachada podemos apreciar as imagens de São Domingos e de São Francisco de Assis.

Um almoço fantástico e mais a ver em Vila Real

Entretanto, já é hora de almoço. Sugerimos o Cais da Villa, junto à estação de comboios de Vila Real. Aqui pode provar delícias como sopa de alheira com cogumelos e ovo a baixa temperatura, o tártaro de frutos exóticos e requeijão e o carpaccio de vitela Maronesa com molho de rabano e pimentão fumado.

A seguir ao almoço, visite a igreja de São Pedro, em Vila Real. Foi edificada em 1528 mas a sua construção só terminou em 1720. A capela-mor, de 1692, tem muitos azulejos e o teto é revestido de talha dourada.

Agora é tempo de dar uma saltada ao Parque Natural do Alvão, situado entre os concelhos de Mondim de Basto e Vila Real. É uma área protegida dividida em duas grandes áreas. Uma é a zona mais alta, que ultrapassa os 1300 metros de altitude, englobando a serra do Alvão e o planalto de Lamas de Olo. Na outra zona, mais baixa, encontramos as povoações de Ermelo e de Fervença.

A aldeia típica de Lamas D’Olo antes do descanso com requinte

De seguida, parta para Lamas d’Olo, uma aldeia com casas em granito envolvida numa paisagem deslumbrante, ideal para grandes caminhadas.

O dia foi cansativo e está na hora de descansar. Sugerimos o regresso a Vila Real (a 15 quilómetros de Lamas D’Olo), onde pode ficar alojado na Quinta do Paço, uma mansão do século XVIII que foi remodelada. Para além de quartos com todo o conforto, existem muitos espaços verdes e uma piscina de boas dimensões. O preço médio é de 60 euros por noite.

Paragem relaxante em Pedras Salgadas

O segundo dia começa com uma viagem de rumo ao Parque Termal de Pedras Salgadas. Se for pela A24, não demorará mais do que 20 minutos a percorrer os 30 quilómetros de distância. É sem dúvida um dos mais belos parques do interior de Portugal e teve a sua origem na segunda metade do séc. XIX. Dotado de rica fauna e flora, encontra-se a 580 metros de altitude.

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Pode banhar-se nas várias fontes termais, entre as quais destacamos a Fonte Dona Maria Pia, situada no interior de uma pequena gruta e a Fonte Preciosa, onde tem origem a premiada Água das Pedras.

Chaves recebe-o com um manjar no “Carvalho”

Agora dirija-se para Chaves, onde pode almoçar no Carvalho, restaurante de comida típica de Trás-os-Montes. Algumas das especialidades são o naco de vitela com arroz de fumeiro, o cabrito assado em forno a lenha, a costeleta de porco à transmontana ou alheira com grelos e batata cozida.

O resto da tarde deste segundo dia será dedicado a explorar a bela cidade de Chaves. Pode começar pelo castelo, Monumento Nacional desde 1938. No seu exterior, construiu-se um jardim, onde estão expostas algumas peças do Museu da Região Flaviense. Da Torre de Menagem do castelo tem-se uma bela vista de todo o vale de Chaves.

Em Chaves, visite também a Igreja da Misericórdia, da segunda metade do século XVII, em estilo Barroco. Destaca-se pelos painéis de azulejos nas paredes laterais, nas pinturas do teto e no retábulo em talha dourada.

Um museu e a bela Ponte Romana

Dê também uma saltada ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA). Foi inaugurado em Julho de 2016, encontrando-se instalado num edifício projectado pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira. Exibe em permanência obras do pintor Nadir Afonso e apresenta ainda outras obras de arte contemporânea em exposições temporárias.

Ir a Chaves e não visitar a Ponte Romana de Trajano é como ir a Roma e não ver o Papa. Esta ponte romana sobre o Rio Tâmega foi concluída no tempo do Imperador Trajano, entre o fim do século I e o princípio do século II d.C. É uma obra notável de engenharia, com cerca de 150 metros de comprimento. Os 12 arcos visíveis são de volta perfeita.

Para alojamento em Chaves sugerimos o Hotel Forte de São Francisco. Está situado num edifício histórico do século XVII, classificado como Monumento Nacional e dispõe de um jardim de 15 000 m² com uma piscina exterior com vista para as montanhas circundantes. O preço médio é de 80 euros.

Três aldeias a não perder às portas de Bragança

O terceiro dia começa com uma viagem de Chaves para Bragança, que vai durar entre uma hora e um quarto e uma hora e meia. Comece por explorar a aldeia de Gimonde, colada a Bragança. Lá vai encontrar uma bonita ponte romana, paisagens fantásticas e gastronomia de exceção. Os seus dois principais produtos são os fumeiros e as compotas.

Outro aldeia às portas de Bragança que merece ser visitada é Rio de Onor. Está inserida no Parque Natural de Montesinho, sendo atravessada pela fronteira com Espanha. De um lado, Rio de Onor, do outro, Rihonor de Castilla. É uma aldeia comunitária com casas típicas serranas em xisto. Possui uma excelente praia fluvial.

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Montesinho é mais uma aldeia muito bonita nos arredores de Bragança. Está a cerca de 1000 metros de altitude, no Parque Natural de Montesinho. O Passeio Pedestre de Montesinho, com um total de 10 quilómetros passa por trilhos e caminhos nas aldeias de Montesinho, França e Portelo.

Pelo centro de Bragança

Já em Bragança, pode começar por visitar o seu castelo, no centro histórico da cidade. Foi mandado construir pelo rei D. João II e encontra-se em bom estado de conservação. Do seu alto tem-se uma panorâmica deslumbrante de quatro serras: Montesinho, Sanabria, Rebordões e Nogueira. O castelo tem arquitetura militar, em estilo gótico e situa-se 700 metros acima do nível do mar.

Não deixe ainda de passar pela Domus Municipalis, monumento singular da arquitectura românica civil. A sua construção coincidiu com a do castelo. Embora muito se tenha escrito sobre a sua finalidade, não existe um consenso. É certo que serviu como cisterna de água, mas existem dúvidas acerca de se teria sido esta a sua função original.

Um dos melhores restaurantes de Bragança é o Porta, no centro da cidade. Pode escolher um dos menus de degustação (entre 35 e 70 euros) ou pratos isolados, merecendo destaque o javali com castanha, molho de vinho tinto, torresmos e maça e a vitela maturada.

Percorra a galeria e veja mais fotos de Trás-os-Montes.

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