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A Grande Maçã, a cidade que nunca dorme, o auge do “sonho americano”, a cidade mais cosmopolita do Mundo... Os títulos são infinitos, mas nenhum deles é suficiente para descrever o que é, realmente, Nova Iorque. Atreva-se a conhecer esta cidade, que tem todas as cidades dentro, e vai perceber o porquê.

I love New York Os típicos táxis amarelos
Tour de helicóptero por Nova Iorque

São mais de oito milhões de habitantes, quase tantos como em Portugal. Muitos são americanos, que aqui chegam em busca de oportunidades e outros tantos são estrangeiros, que largam o seu país em busca de uma história de cinema. Nova Iorque tem uma magia única e muito especial, que é fonte de inspiração de músicas, filmes, peças de teatro e tantas outras formas de arte.

Porém, a “selva de cimento” nem sempre foi o que é hoje. Atravessou as imensas fases complexas de crises económicas, a tensão das Guerras Mundiais, os assaltos de gangues, as manifestações, as revoltas, o abuso de drogas pesadas e uma epidemia de sida (nos anos 80). Todos estes acontecimentos acabaram por promover e fazer crescer o seu nível artístico, histórico e cultural de uma forma ímpar. Os anos 90 foram de desenvolvimento e prosperidade, tendo sido cruciais para a construção da identidade atual de Nova Iorque: uma cidade livre, segura, cosmopolita e

extremamente dinâmica, onde tudo pode acontecer e onde é impossível sentir-se sozinho no meio da multidão anónima. Capital de espetáculos musicais, arte, gastronomia, arquitetura, fotografia, moda, música e cinema, Nova Iorque tem sempre algo para oferecer.

O início do milénio veio arrasar novamente com os

nova-iorquinos quando, em Setembro de 2001, um ataque terrorista destruiu os dois arranha-céus do World Trade Center, um dos complexos mais carismáticos da cidade. Talvez como nunca antes na História, a cidade uniu-se e, ao mesmo tempo que limpavam os escombros e reconstruíam o, chamado, Ground Zero, recuperavam também a autoestima.

Quem chega a Nova Iorque, pela primeira vez, relata sempre a mesma sensação: a de que já lá tinha estado. A cidade que mais alimenta o imaginário ocidental foi filmada, fotografada e homenageada tantas vezes que é como se o visitante conhecesse as ruas, as placas, os jardins e os prédios. Ainda assim, surpreenda-se com os painéis luminosos de Times Square, passeie-se pela 5th avenue, delicie-se com um gorduroso bagel, desfrute do Central Park e da companhia dos esquilos, perca-se em Chinatown e não deixe de apreciar um musical da Broadway. Porém, qual é a regra para conseguir viver o máximo de Nova Iorque num curto tempo de férias? Esquecer o mapa e deixar-se levar pela dinâmica acelerada e fascinante dos nova-iorquinos.

Yankees, Times Square Station, hotdogs
Manhattan
vista de Hamilton Park
Panorama de Manhattan

Manhattan

Os cerca de 20 quilómetros de
comprimento da península de Manhattan
estão divididos em bairros e zonas. Um
território plano, de largas avenidas e ruas
perpendiculares, com o Central Park a meio, limitado pelos bairros Upper East e Upper West Side e, a sul, Midtown. É em Manhattan que tudo acontece. Concentre-se nas zonas mais centrais, desde a avenida que limita o Central Park, a norte, até Lower Manhattan e ao Finantial District. Pelo caminho, passará por Hell’s Kitchen, East e West Village, Greenwich Village, Lower East Side, Nolita, Tribeca, SoHo, Chinatown e Little Italy.

Chinatown, Little Italy, SoHo e Harlem

Chinatown, Little Italy, SoHo e Harlem

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São, talvez, os bairros mais interessantes e emblemáticos que não pode deixar de visitar. Encostados a Lower Manhattan (excluindo Harlem, que fica a norte do Central Park), formam uma rede de culturas e tendências indissociável do que é Nova Iorque, para além do capitalismo e do luxo.

Chinatown é o entrar num outro mundo dentro do mundo que é Nova Iorque. Aqui vivem mais de 150 mil chineses e, recentemente, vietnamitas. A comunidade mantém os rituais religiosos e gastronómicos, adaptando-se ao consumismo da cidade, com grandes lojas, caves e armazéns muito procurados por moradores e turistas.

Little Italy, sim, perdeu o carisma que chegou a ter em meados do século passado, quando Martin Scorsese aqui viveu. Hoje é um bairro maioritariamente turístico, que se reformulou nas zonas de NoHo e Nolita devido à abertura de lojas, cafetarias e restaurantes, ao estilo cosmopolita e artístico de SoHo.

Bairro artístico da cidade por excelência e tradição, nos anos 50, SoHo foi morada de músicos, pintores, escritores e demais criativos, devido à quantidade de edifícios industriais de ferro que se foram transformando em ateliers e lofts residenciais de baixo custo. Local ditador de tendências durante anos, deixou de o ser quando as rendas subiram e os artistas se deslocaram para outras zonas da cidade, como Dumbo e Chelsea. Hoje, é um dos pontos de referência do mundo da moda e um local imprescindível para quem quer fazer compras.

Já Harlem é bem diferente de tudo isto. Bairro histórico da comunidade afro-americana, durante mais de 100 anos, protagonizou alguns movimentos artísticos dos anos 20 e foi ponto de partida para os movimentos pelos direitos civis dos negros, nos anos 60. Harlem é, hoje, um bairro relativamente seguro e deveras interessante graças às sessões de jazz do Cotton Club, o Lenox Lounge, o Apollo Theather, o Studio Museum e o Schomburg Center of Black Research.

Vista sobre Nova Iorque
Vista sobre Nova Iorque
Museum of Modern Art

Arte, história e cultura

Falar de Nova Iorque sem referir arte não seria possível. Entre os museus mais interessantes do Mundo, aqui ficam pelo menos dois: o Museum of Modern Art (MoMA) e o Metropolitan Museum (MET). O MoMa, que em 1929 tinha apenas oito gravuras e um desenho, sofreu uma enorme remodelação em 2004 e a sua coleção permanente de arte moderna, com mais de 135 000 peças únicas, é magnífica. Van Gogh, Picasso, Matisse, Giacometi, Chirico, Brancusi ou Warhol são apenas alguns nomes presentes. O MET é um enorme “armazém” com mais de dois milhões de objetos que nem sempre estão expostos. Esteja atento às exposições temáticas temporárias que costumam atrair filas e filas de visitantes.

Solomon R Guggenheim Museum e Lincoln Center
Metropolitan Museum

Se é um admirador de arquitetura, não pode perder o Solomon R Guggenheim Museum, cujo edifício é, em si mesmo, uma obra de arte. Construído na década de 50 sob a conceção de Franck Lloyd Wright, é um edifício-escultura de traços únicos. Lá dentro pode ainda ver obras de Picasso, Chagall, Pollock, Kandinsky, Luet, Van Gogh ou Degas e um piso é dedicado apenas a exposições fotográficas.

Se a pintura e a escultura não são o seu forte e, principalmente, se viaja em família, o American Museum of Natural History, com o seu emblemático esqueleto de um dinossauro T-Rex, vai fazer as delícias de todos. Por último, e se prefere deliciar-se com artes performativas, não dispense uma visita aos teatros da Broadway e ao Lincoln Center, um complexo de 6,5 hectares, onde ficam o Metropolitan Opera House, o New York State Theater (onde têm lugar os mais aplaudidos espetáculos de dança clássica e moderna) e o Avery Fisher Hall.

5th Avenue e a Macy's

As melhores compras

Para além do passeio incontornável pelas lojas da 5th avenue e da Madison Avenue, Nova Iorque tem muito mais do que lojas de luxo para oferecer. Não pode deixar de visitar os grandes armazéns Macy’s, Bloomingdale’s, Loehmann’s, Barney’s ou Saks Fifth Avenue, mas também deve arriscar uma visita a Chinatown, onde tudo pode parecer suspeito, mas onde encontrará boas pechinchas e ótimas réplicas de malas famosas. No bairro de
SoHo, entre West Broadway e Prince Street,
ficam as principais lojas das linhas de
street wear. Em Mott Street, ao lado de
Chinatown, ficam imensas lojas de
segunda mão e sapatarias surpreendentes.
Encontre aqui as lojas mais famosas de
algumas marcas bem conhecida como
a Apple, a M&M’s, a Nike ou a Disney.

O Flatiron Building originalmente Fuller Building é um dos mais emblemáticos edifícios de Nova Iorque Empire State Building Chrysler Building

Arranha-céus

Desafiar as alturas sempre foi algo muito próprio dos Estados Unidos. Talvez por isso, as imagens mais conhecidas de Nova Iorque tenham sempre arranha-céus no horizonte: a cidade tem mais de 50 edifícios, com mais de 200 metros de altura e mais de 50 andares. O primeiro arranha-céus digno desse nome terá sido o Chrysler Building. Erguido em 1930, é, hoje, o terceiro maior da cidade, com 77 andares. Em 1931, é erguido o Empire State Building, com 102 andares e 380 metros de altura. Depois do primeiro boom de construção em altura, dos anos 20 e 30, a cidade passou por mais dois: nos anos 60 e a partir de 2001. As torres gémeas do World Trade Center eram as mais altas da cidade, voltando o título a pertencer ao Empire State Building, depois da sua queda. Desde os ataques do 11 de Setembro foram erguidos mais de uma dezena de novos arranha-céus em Nova Iorque, como a torre do New York Times, a torre Bank of America, a Bloomberg Tower ou o Spruce Street. Já o novo World Trade Center é composto por cinco novas torres, um memorial e um museu de homenagem às vítimas. Uma dessas novas torres será a mais alta da cidade e estará concluída em 2013. A Freedom Tower (ou One World Trade Center) vai liderar os céus de Nova Iorque do alto dos seus 105 andares e 540 metros de altura.

Onde ir

Central Park
Central Park

Estes 340 hectares de jardins, com extensos lagos de água doce, são o pulmão da selva urbana que é Nova Iorque e motivo de orgulho de todos os habitantes que fazem uso dele todos os dias, em todas as estações do ano. Passear, correr, ler, assistir a um concerto gratuito no Verão, patinar no gelo no Inverno, fazer companhia aos esquilos... O Central Park é de todos e para todos.

Times Square
Times Square

O cruzamento entre a 42nd street, a Broadway e a 7th avenue é a “encruzilhada do mundo”. É o coração palpitante da cidade, onde a cultura americana é levada ao extremo. Os anúncios luminosos de marcas ou com notícias do momento atraem os turistas e são a marca que mantém este sítio especial. Chamava-se Long Acre Square até o jornal New York Times se mudar para a zona. Na altura, organizou-se uma grande comemoração na noite de fim de ano e, desde aí, tornou-se num dos locais mais famosos para comemorar a data.

Apple Store na 5th Avenue
5th Avenue

É a rua de compras mais famosa e, provavelmente, mais cara do Mundo. Residência de famílias endinheiradas, foi sendo invadida pelas lojas mais conceituadas, cujas montras fazem as delícias dos que não têm coragem para entrar. Sob o olhar da imponente Trump Tower, Yves Saint Laurent, Chanel ou Dior são apenas algumas das lojas aqui presentes. Aproveite e espreite também a magnífica New York Public Library.

Central Station
Central Station

Não é apenas uma estação de comboios. É a maior estação de comboios do Mundo, por onde passam milhares de pessoas diariamente. O edifício é magnífico e, quem sabe, pode sempre ter a sorte de apanhar um flash mob de dança ou um pedido de casamento em público.

Broadway
Broadway

É no Theater District que fica a maioria dos 38 teatros oficiais da Broadway. Não pode deixar de ver um dos grandiosos musicais, como o The Lion King, Mary Poppins, Mamma Mia, Jesus Christ Super Star, Sister Act ou o incontornável Fantasma da Ópera, que ainda se mantém em cena.

Brooklyn Bridge
Brooklyn Bridge

É um dos símbolos da cidade que aparece em todos os filmes. Portadora de histórias mais ou menos alegres, a ponte que liga Lower Manhattan a Brooklyn foi inaugurada em 1883 e a sua passagem, a pé ou de bicicleta, é uma experiência urbana imperdível, que não demorará mais de 30 minutos.

Rockfeller Center
Rockfeller Center

Um enorme complexo privado em Midtown, onde estão restaurantes, lojas, bancos, coleções de arte, cabeleireiros, livrarias, consultórios médicos e as sedes de alguns dos maiores grupos de comunicação social. Em época festiva, é palco de uma bonita pista de gelo, ao lado de uma gigantesca árvore de Natal.

Wall Street
Wall Street

É a rua principal do Finantial District em Lower Manhattan. Um local onde se fez alguma da história do século XX e cuja influência é inegável, ainda nos dias de hoje. Rodeada de arranha-céus, por onde o sol vai espreitando nas primeiras horas do dia, vai desde a Broadway a East River. A Bolsa de Nova Iorque, cuja fachada é mundialmente conhecida, fica, na realidade, em Broad Street.

Memorial 09.11
Memorial 09.11

Foi inaugurado pela ocasião do 10.º aniversário dos atentados. É composto por duas cascatas quadrangulares, de nove metros de altura, localizadas no preciso local onde se erguiam cada uma das Torres Gémeas, rodeadas por um jardim. A Memorial Plaza estará concluída quando abrir o museu e quando for inaugurada a nova torre mais alta da cidade, a Freedom Tower.

Estátua da Liberdade
Estátua da Liberdade

A visita a este monumento histórico e, de seguida, às ilhas Ellis pode durar um dia, mas vale a pena. A conceção e construção desta enorme estátua esteve a cargo de quatro senhores franceses, entre eles Gustave Eiffel, que queriam celebrar o republicanismo do seu país e escolheram Nova Iorque como localização para a Dama da Liberdade. Foi inaugurada em 1886 e sofreu inúmeras remodelações. Desde 2001 que é proibido subir ao seu topo.

Ellis Islands
Ellis Islands

Foi o principal porto de entrada na cidade entre 1892 e 1954. Ou seja, no auge da imigração para aquele que era o Novo Mundo. Aqui era feita a triagem e a inspeção médica dos que queriam entrar na cidade e que chegavam a ser mais de 10 mil por dia. Criminosos, polígamos, indigentes, doentes ou anarquistas não passavam daqui... O edifício principal de triagem e registo é hoje o Immigration Museum, mas, mais do que a visita à ilha, o passeio de ferry vale pela paisagem fabulosa sobre Manhattan.

Guia do Viajante

ver mapa maior

Nova Iorque

onde ficar

Hotel The Manhattan at Times Square, Midtown

Hotel Pennsylvania,
Madison Square Garden

Hotel Holiday Inn New York City, Lower Manhattan

Candlewood Suites Times Square, Garment District

Milford Plaza Hotel,
Garment District

Jolly Hotel Madison Towers,
Grand Central Station

St Giles The Court,
Murray Hill

St Giles Tuscany,
Murray Hill

New York Helmsley,
Murray Hill

Hotel Room Mate Grace,
Rockfeller Center

Hotel Vincci Avalon,
Empire State Building

Grand Hyatt New York,
Grand Central Station

Millennium Hotel Broadway, Theatre District

San Carlos Hotel,
Midtown East

onde comer

Nova Iorque é, provavelmente a cidade com a maior diversidade de restaurantes, de todas as comidas do mundo, a todo o tipo de preços. O mais comum são espaços especializados em algum tipo de cozinha: italiana, francesa, grega, árabe,portuguesa, mexicana...

Eleven Madison Park, Flatiron District

Daniel, Upper East Side

Osteria Morini, Nolita

Marea, Central Park South

Maialino, Flatiron District

Del Posto, Meatpacking District

Annisa, West Village

Recette, West Village

Grimaldi, Flatiron District

The Breslin, Korea Town

Nuela, Finantial District

Aldea, Flatiron District

Amy´s Bread, Clinton

Sophie’s Restaurant, Finantial District

Bubby’s, St. John

Eataly, Flatiron District

para os gulosos

Nova Iorque oferece pequenos pecados de gula que não pode deixar de experimentar. Em qualquer café vai encontrar donuts, bagels, cupcakes e pretzel’s. Os donuts mais famosos são da Krispie Kreme e da Dunkin' Donuts. Os cupcakes são pequenos queques decorados com uma cobertura doce e vai adorá-los se for à Magnolia Bakery. Dos menos conhecidos em Portugal, os bagels são visualmente parecidos com donuts mas são uma espécie de massa de pão (com ou sem sementes) e devem ser acompanhados por cream cheese. Os pretzel’s são conhecidos por terem a forma de um nó. Podem ser doces ou salgados e a massa varia consoante o sabor escolhido. Se preferir pedir um cachorro quente, não se admire se vier só o pão com a salcicha.  E a pizza vende-se à fatia e tem quase sempre só queijo e tomate.

preços


Um quarto num hotel de 3 estrelas custa, em média, 250 dólares por noite. O café custa 1 dólar, o bilhete de metro custa 2 e uma fatia de pizza custa 1,75 dólares. Um bagel com será 1,50 e um bilhete de cinema 10 dólares.

andar pela rua

Respeite as “regras de andar nos passeios”. Acelere o passo, caminhe pela direita, não faça paragens repentinas e, se precisar de consultar o mapa ou ver o telemóvel, encoste-se num dos lados do passeio.

 

informações

Moeda
Dólar americano

Idioma
Inglês americano

Documentos
Para os portugueses não é preciso visto para estadias nos Estados Unidos inferiores a 90 dias. Caso tenha um passaporte de leitura ótica, com validade de mais de seis meses, necessita apenas de uma autorização, que é válida por dois anos e que deve ser preenchida online, até 72 horas do voo. O formulário está disponível em http://esta.cbp.dhs.gov/esta/

Fuso horário
UTC/GMT -4/-5 horas

Voltagem
220 volts

clima

A avaliar pela afluência constante de turistas, todas as alturas são boas para visitar Nova Iorque. O tempo fica mais ameno entre maio e setembro, com a exceção para o mês de agosto, em que pode fazer demasiado calor. O Inverno é frio, com neve e/ou chuva, entre novembro e abril.

 

Texto: Ana Catarina Alberto | Fotos: Arquivo Impala, Wiki Commons, Flickr
edição 5 a próxima viagem