Cidade do Cabo, o destino africano que respira multiculturalismo

Cidade do Cabo, o destino africano que respira multiculturalismo

Cidade do Cabo, o destino africano que respira multiculturalismo

Artigo de Redação

África é África, distingue-se pelo cheiro e pela cor. Ainda assim, a Cidade do Cabo é muito mais do que uma paragem intermédia. Surpreende os visitantes pelo seu jeito cosmopolita, pelos contrastes culturais e multirraciais, marcado pelo clima por uma beleza natural ímpar, características que fazem dela um dos dez destinos mundiais mais cobiçados. Capital administrativa da África do Sul – onde está sediado o Parlamento Nacional – é a mais antiga da região sul do continente, estando próxima do cabo da Boa Esperança, na confluência dos oceanos Atlântico e Índico.

Situada na costa da Baía de Table, junto ao monte homónimo, Cape Town – nome original – foi fundada em 1652 pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, através de Jan van Riebeeck e, em 1806, ocupada pelos ingleses. Em 1848, as questões raciais mancharam a história do país devido à adoção da ideologia da segregação social, que promovia a exclusão dos negros: o apartheid.

A luta contra o racismo penalizou diversos líderes que combateram os seus ideais, entre os quais se destaca o exemplo de Nelson Mandela, cativo em Robben Island ao longo de 27 anos. O seu primeiro discurso, após recuperar a liberdade, teve lugar no edifício da câmara, em 1990.

Cidade do Cabo é um importante centro industrial e comercial

A Cidade do Cabo é um importante centro industrial e comercial, acolhendo diversas refinarias de petróleo, empresas de curtumes, têxteis e de produção de automóveis. Além disso, possui um dos principais portos do país – com estaleiros – e detém uma forte produção vinícola. A par destas infraestruturas, é incontornável a grande aposta no sector do turismo, um dos que apresenta maior rendimento.

Sugerimos que faça uma paragem no Greenmarket Square, um dos mercados apreciado pelos turistas, e visite Long Street, a rua mais movimentada da cidade, ao longo da qual, porta sim, porta não, poderá entrar em restaurantes, bares, antiquários, lojas de conveniência ou de roupas em segunda mão. A oferta é variada, sendo difícil não ceder ao consumo. Com o pôr do sol, esta zona não se esconde na penumbra e marca pontos pela agitada vida noturna que a caracteriza.

Os principais museus e lugares históricos concentram-se no centro da cidade, a par de edifícios altos e modernos, muito ao estilo europeu, onde operam diversas empresas. As diferenças arquitetónicas das estruturas são visíveis a olho nu, convivendo harmoniosamente entre si. No entanto, ninguém fica indiferente às construções tipicamente vitorianas – com varandas em ferro forjado –, herança da colonização holandesa e inglesa. Esta faceta multicultural encontra-se bem patente na cidade.

Museus e lugares históricos concentram-se no centro da cidade

Hoje, aos ex-colonos, juntam-se muçulmanos, judeus, brancos e negros, originando uma comunidade local que, no fundo, defende os seus costumes e valores sem quaisquer preconceitos. A grande atração turística é Table Mountain, com uma vista fantástica sobre a malha urbana. Pontos como Victoria & Alfred Waterfront, Castle Good Hope, Robben Island e as extensas praias, ideais para a prática de surf, estão também no top das preferências dos visitantes.

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Guia do viajante

Onde ir

Table Mountain
Cabo da Boa Esperança
Boulders Beach
Kirstenbosch National Botanical Gardens
Victoria & Alfred Waterfront
Robben Island Museam
Bo Kaap
South African Museum e Planetarium
District Six Museum
Castle Good Hope
Groot Constantia
Greenmarket Square

Onde comer

La Colombe
Two Oceans Restaurant
Catharina’s The Restaurant at Steenberg
The Showroom
África Café
Jardine Shines Jardine

Onde ficar

Hotel St. George
Mandela Rhodes Place Hotel & Spa
Belmond Mount Nelson Hotel
The Westin Cape Town
Hotel The Table Bay
Cape Town Ritz Hotel
ONOMO Hotels Inn on the Square
The Rockwell All Suite Hotel
Place On The Bay
Parliament Hotel
Table Mountain

Do alto desta montanha, eleita uma das Sete Maravilhas do Mundo, poderá apreciar a vista geral da cidade num ângulo de 360 graus. O cenário é completamente arrasador e o silêncio um ponto assente. Ao fundo, num formato aparentemente minúsculo, avistam-se quilómetros de terra e mar a perder de vista, sendo este local um verdadeiro desafio a todos os que sofrem de vertigens. Para aceder ao marco turístico e histórico da África do Sul – com 1806 metros de altura – tem duas opções: embarcar a bordo de um teleférico que faz a ligação em apenas cinco minutos e, em jeito de imaginação, nos permite “tocar” no topo de Mundo; ou escolher um dos 300 trilhos sinuosos, com diferentes graus de dificuldade, e vários pontos de paragem. Um esforço físico recompensado pelo ex-líbris da cidade.

Cabo da Boa Esperança

Partindo à aventura rumo ao sul, na estrada de Chapmans Peak Drive, avistamos praias de areia fina e águas gélidas que atraem, sobretudo, os surfistas da região. Foi também nesta zona que decorreram as filmagens de O Piano. A curta distância do centro da cidade, mais ou menos 160 quilómetros, entramos na Reserva Natural do Cabo da Boa Esperança, titulada pela UNESCO, onde os 7800 hectares de vegetação ainda não sofreram a intervenção humana. O cenário é imaculado e o ideal para a preservação de espécies como avestruzes, babuínos e zebras. Finalmente, chegamos ao extremo sul da península, onde os oceanos Índico e Atlântico se encontram, ponto que é também um símbolo de orgulho para os portugueses, uma vez que, em 1488, Bartolomeu Dias foi o primeiro navegador a avistar estas terras e a dobrar aquele que era então conhecido como Cabo das Tormentas, provando que era possível chegar ao Oriente por mar, contrariando as lendas de monstros que davam conta das muitas embarcações ali desaparecidas. Mais tarde, D. João II viria a denominá-lo Cabo da Boa Esperança. Visite o antigo farol, acessível por teleférico, e aprecie a natureza envolvente.

Boulders Beach

Um dos poucos lugares do mundo onde vive uma colónia de pinguins, cuja espécie tem cerca de 70 centímetros. Conte com um acesso fácil do parque de estacionamento até aos rochedos onde as aves se encontram.

Kirstenbosch National Botanical Gardens

Criado em 1913 para proteger e expandir a diversa flora existente no país, Kirstenbosch é um famoso jardim botânico que, em 2004, foi declarado Património Mundial pela UNESCO. Acolhendo mais de 7000 espécies de plantas e flores, incluindo uma árvore baobá e algumas espécies raras e medicinais, dispõe de vários trilhos para os visitantes apreciarem o jardim e, caso pretendam, levar amostras para plantação. Inclui ainda uma enfermaria indígena e vários restaurantes.

Victoria & Alfred Waterfront

Mandado construir em 1860 por Alfred de Inglaterra, para funcionar como porto de abrigo às embarcações, este local foi recuperado em 1988, dando lugar a uma das zonas mais turísticas da cidade. Vitoria & Alfred Waterfront mantém a traça original das construções portuárias e dos restantes edifícios, onde hoje operam mais de 400 lojas com referências a marcas internacionais – exemplo da Burberry’s ou da Louis Vuitton –, entre bares e discotecas. As enormes esplanadas, dispostas em fileira, são um convite para os nativos surpreenderem os visitantes com animação de rua e amealharem uns rands. Outra das atrações da zona diz respeito ao Two Oceans Aquarium, onde pode observar cerca de três mil animais marinhos vivos, incluindo tubarões, pinguins e tartarugas. É nestas docas – onde decorrem diversos festivais ao longo do ano – que se apanha o ferryboat para Robben Island.

Robben Island Museam

A partir do Victoria & Albert Waterfront, os turistas partem a bordo do ferryboat naquela que podemos denominar como “peregrinação” a Robben Island, a prisão de alta segurança – fechada em 2004 – onde esteve preso Nelson Mandela, ícone anti-apartheid. O edifício, proclamado como Património da Humanidade, é hoje um dos museus mais importantes para conhecer a história do país. A visita passa pelas antigas celas, cemitérios e hospitais, englobando uma explicação sobre a queda do regime, bem como o depoimento de um ex-prisioneiro, sobre os tempos passados em cativeiro.

Bo Kaap

É neste bairro multicolor, outrora conhecido como Bairro Malaio, que está concentrada a maioria dos muçulmanos da região, descendentes de escravos trazidos da Malásia e Indonésia. Nos últimos anos, as habitações foram recuperadas e pintadas em tons fortes, sendo o local de trabalho de costureiras conceituadas e o “porto de abrigo” da comunidade gay. Ao vaguear por estas ruas estreitas – onde é patente a diversidade multicultural – não deixe de visitar as mesquitas e o Bo Kaap Museum situado numa casa típica, datada de 1760, retratando a vida cultural islâmica, apenas em três compartimentos distintos. A 2 de janeiro, o bairro comemora a festa de Carnaval dos Menestréis para assinalar o único dia de folga que os muçulmanos tinham durante o ano.

South African Museum e Planetarium

O museu situa-se num edifício imponente e, a par das exposições permanentes, contempla exemplares únicos de arte rupestre, bem como diversas atividades interativas. Ao lado, pode conhecer, também, o planetário.

District Six Museum

Inaugurado em 1994, junto às Buitenkant Street e Albertus Street, este museu aviva as memórias dos habitantes de um bairro multicultural que, em 1966, viu o seu perímetro declarado como “zona branca” e, na década de 70, assistiu à demolição das habitações. Com dimensões exíguas, o District Six Museum abriu portas através de painéis, fotos e objetos da época, cedidos pela comunidade. A tudo isto, acrescem histórias da expulsão e os horrores do apartheid. Uma das peças deste vasto espólio – e talvez uma das que desperta mais curiosidade – diz respeito a uma escultura criada com placas de rua, retiradas dos escombros.

Castle Good Hope

Construído pelos holandeses entre 1666 e 1679, o castelo situa-se num antigo forte pentagonal. Considerado o edifício mais antigo da África do Sul, funcionou como o centro administrativo e militar da Cidade do Cabo, sendo, ainda hoje, utilizado por militares. A zona reservada ao museu alberga um vasto acervo militar, mostrando o estilo de vida dos colonizadores e destacando mobiliário holandês, pinturas, artes decorativas, bem como outros artigos históricos. Monumento nacional desde 1936, contempla ainda um restaurante e várias áreas ajardinadas. Daqui, pode também apreciar a excelente vista sobre a Cidade do Cabo.

Groot Constantia

Os arredores da cidade são conhecidos pelas extensas propriedades vinícolas. No entanto, para os turistas que não pretendem afastar-se da malha urbana, Groot Constantia, a 20 minutos do centro, é uma boa alternativa. Fundada em 1685, a propriedade serviu de residência ao comandante da Companhia das Índias Orientais – mais tarde nomeado governador da Cidade do Cabo. Simon van der Stel aproveitou as condições climáticas da região e dedicou-se à produção de vinho. Considerada monumento nacional, a casa evidencia uma traça marcadamente colonial, comercializando um líquido precioso, feito de uvas cabernet sauvingnon. Embora a herdade disponha de dois restaurantes, os visitantes têm permissão para fazer piqueniques e aproveitar os jardins num local tranquilo.

Greenmarket Square

Local perfeito para todos aqueles que nunca dizem adeus a uma cidade, sem antes comprarem um souvenir. Os comerciantes locais provam ter alma para o negócio, apresentando bancas de venda com artesanato, pinturas, estátuas de madeira ou tecidos, entre outras peças. Após algumas horas a regatear preços, sugerimos que faça uma pausa num dos muitos cafés existentes na zona.

La Colombe

Cozinha francesa. Em 2006, foi eleito o Melhor Restaurante de África e do Oriente Médio e o Melhor Restaurante do mundo (28) pela revista Restaurant, publicada no Reino Unido.

Two Oceans Restaurant

Com vista sobre a Baía Falsa, tem como especialidade o marisco fresco.

Catharina’s The Restaurant at Steenberg

Cozinhas africana, contemporânea, continental, internacional, perfeito para grupos.

The Showroom

O menu contempla comida tradicional com mistura de sabores inventados pelo chef.

África Café

A cozinha mantém-se fiel às tradições e temperos africanos.

Jardine Shines Jardine

George Jardine, chef e proprietário do espaço, apresenta uma cozinha clássica/contemporânea, sempre deliciosa e imaginativa. Aqui, pode experimentar ostras confecionadas de diversas maneiras.

Hotel St. George
Mandela Rhodes Place Hotel & Spa
Belmond Mount Nelson Hotel
The Westin Cape Town
Hotel The Table Bay
Cape Town Ritz Hotel
ONOMO Hotels Inn on the Square
The Rockwell All Suite Hotel
Place On The Bay
Parliament Hotel

Clima

As regiões do norte apresentam temperaturas amenas nos meses de inverno (20º/23º C), sendo ideais para safaris. A sul, e apesar dos aguaceiros que ocorrem durante o verão, o termómetro pode atingir os 28º/30º C. No entanto, a África do Sul é um país a visitar ao longo de todo o ano.

Documentos

Passaporte com validade mínima de seis meses. É necessário visto de entrada no país, obtido gratuitamente à chegada ao aeroporto.

Outras Informações

Moeda A moeda local é o rand sul-africano. Idioma O inglês é a língua oficial, mas o afrikaans e o xhosa também são habituais. Fuso horário Na costa leste: + 01h00 (Abril a Outubro); + 02h00 (Novembro a Março). Eletricidade 220/230 volts; 50 Hz.

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